THERESA CATHARINA de GÓES CAMPOS



DESTAQUES

1. Projeto Cultural Luiz Gonzaga

2. Associação Vem Ser


3. One Way Academia

4. Diário de Viagem - Reynaldo Domingos Ferreira

5. Código de ética dos jornalistas brasileiros

6. Atuação de Theresa Catharina na [...]

7. Fundo Cristão para Crianças

8. THERESA CATHARINA escolhida para receber o PRÊMIO NACIONAL DA IMPRENSA BRASILEIRA - MÉRITO DOM JOÃO VI

9. Cartaz de divulgação do Evento Ética na Saúde, do qual Theresa Catharina participou como debatedora.

10. Cartaz da nova campanha da Fenaj

11. A vitória do bem - Agnes Marta Pimentel Altmann

12. Ética e Liberdade
Conselho Federal de Jornalismo

13. Dangerous people?

(Republicado na seção Crônicas, do site www.noticiasculturais.com)

14. A Question of Human Survival
(Republicado na seção Artigos, do site www.arteculturanews.com)

15 - Assinatura das mensagens enviadas por e-mail

16 - Mensagem de boas-vindas aos visitantes dos sites

17 - Câncer, Direito e Cidadania

18 - Espaço do Rey

19 - As Chaves de Casa - Reynaldo Domingos Ferreira

20 - Na Natureza Selvagem - Reynaldo Domingos Ferreira




















1. Projeto Cultural Luiz Gonzaga

15 Anos de Saudade, com apresentação do cantor e compositor Eddy Lima & Banda Raízes do Nordeste, em homenagem ao Grande Mestre e Rei do Baião Luiz Gonzaga, que tão bem representou a cultura nacional por meio de suas canções que abordavam temas relacionados à identidade brasileira.
Eddy Lima & Banda Raízes do Nordeste - Projeto Cultural Luiz Gonzaga
http://centraleddylimashow.blogspot.com
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2. Associação Vem Ser
www.associacaovemser.org.br


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3. One way Academia

www.noticiasculturais.com/health

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4. DIÁRIO DE VIAGEM

                                               “O vinho é sinal de alegria, da transfiguração, da criação. Liberta-nos da tristeza e do cansaço do dia-a-dia...Alegra os sentidos e a alma, solta a língua e abre o coração; e transpõe as barreiras que limitam a nossa existência”

PAPA BENEDICTO XVI

                                               (in “l2 Vinhos, 12 Histórias”, editado em Portugal, 1977, segundo pesquisa realizada pelo Deputado Alexandre Cardoso (PSB-RJ), reproduzida por Ilimar Franco, em “O GLOBO”)

            A França, ao que constato, está redescobrindo a América do Sul, fazendo investimento maciço na produção de vinho ao longo da Cordilheira dos Andes, no Chile e na Argentina – quinto produtor mundial -, onde os irmãos Jacques e François Lurton, pertencentes a uma das mais poderosas famílias de Bordeaux, insistem em provar que, além de outras variedades de uva tradicionais na região – Merlot, Cabernet Sauvignon, Sauvignon Blanc e Chardonnay - o cultivo de outras, como as Carménère (não mais existente em seu país) Syrah e Cabernet Franc, também produzirão ali excelentes resultados, tanto nos varietais, como nos de assemblage.

            Tudo isso pude ver em excursão de uma semana pela região, programada e organizada pelas empresárias Tatiana Dualibe e Carol Maia, do convênio Vintage-Mactur Turismo, em que se reuniram pessoas, de diversas profissões, apreciadoras de vinho (enófilos), as quais, durante as visitas às vinhas (bodegas), além das informações que recebiam do pessoal técnico de cada uma delas, também obtinham esclarecimentos adicionais do enólogo, Grégoire Gaumont, que, apesar do sobrenome, nada tem a ver, segundo ele, com a distribuidora de filmes franceses. A distância de 2.855 Km, entre São Paulo e Santiago do Chile, foi percorrida em três horas e quarenta minutos por um airbus da Lanchile, no sábado, l4 de maio.

            Em Santiago, onde chegamos, ás 19, horas e 30 min.  - diferença de uma hora, para menos, em relação a Brasília - o tempo era frio e chuvoso, dando sinal de que os que, entre nós, não se encontravam com agasalhos adequados para enfrentar as condições climáticas da região dos Andes, de clima Mediterrâneo, deveriam imediatamente providenciá-los. Foi num ônibus, de fabricação brasileira, que seguimos para o Marriot Hotel, o  mais alto edifício de Santiago, localizado no bairro Las Condes, que mais apropriadamente deveria chamar-se Las Condessas, região de torres de escritórios de aço e vidro, de belos prédios de apartamentos – a construção civil é um dos itens que mais contribuem, nos últimos anos, para o crescimento do PIB chileno - supermercados e restaurantes. No percurso, o guia, que, apesar de não conhecer o Brasil, se expressa bem em português, nos advertia sobre palavras de uso corrente em nosso idioma, que, entretanto, por cautela, segundo ele, deveriam ser evitadas, tanto no Chile, como na Argentina, por serem tidas ali como expressões de baixo calão, como “mamão” e “colher”. No amplo salão de recepção do hotel – que tem hall de entrada de teto também abobadado, de onde se desprende bela luminária de estilo inca – foi-nos servido o “Pisco Sour”, bebida característica do Chile, com alguns ingredientes da “Caipirinha” e aguardente de uva.

            Como a noite era livre em nossa programação, partimos a aproveitá-la, apesar do frio, em um restaurante do bairro, Pub Licity,  um dos mais novos da cidade, onde facilmente se podia perceber, pela amostragem presente, a diferença do temperamento brasileiro, alegre, impulsivo e extrovertido, com o do povo chileno, discreto, contido e comedido. O efeito dessa diferença recaía de forma direta sobre Rodrigo, o atarantado garçom destacado para nos servir, de traços fisionômicos bem próximos aos de Maradona, que circulava apressadamente por entre as mesas do restaurante preocupado em nos atender da melhor forma que lhe parecia ser possível. A comida era de boa qualidade – principalmente a massa – mas alguns pratos tiveram de retornar ao fogo porque foram servidos frios, malgrado o reconhecido empenho de quem nos atendia.. Terminado o jantar, ao deixarmos o restaurante, fui abordado por um motorista de táxi, que, preocupado, me mostrou o passaporte perdido de “un brasileño”, desejoso ele naturalmente de saber se, pela foto, eu o poderia reconhecer. Como o local não era bem iluminado, não fui capaz de identificar pela foto, sem conseguir ler o nome, o documento de um dos integrantes do nosso grupo. Tratava-se  do advogado, que exerce funções na área de fiscalização da Agência Nacional de Energia Elétrica – Aneel -  Ricardo Martins Sant´Anna, que, na manhã seguinte, domingo, no hotel – abarrotado de investidores árabes egressos da cúpula América do Sul – Países Árabes, realizada em Brasília -  durante o café da manhã, mostrava-se desolado, disposto a ir, em seguida, ao aeroporto dar conhecimento às autoridades locais do sucedido e, na segunda-feira, procurar o consulado do Brasil, em Santiago, para também registrar o fato. Nem é preciso dizer o quanto lamentei não me haver  detido mais no exame do passaporte, que me fora mostrado pelo motorista de táxi, na noite anterior, pois, se assim o tivesse feito, estaria em condições, com certeza, de livrar o companheiro do aborrecimento em que se encontrava naquela manhã, que, apesar de fria, prometia ser, como o foi, de céu limpo e ensolarado.

            Nessas circunstâncias, saímos para uma visita aos principais pontos turísticos de Santiago, fundada em 1541 – oito anos antes, portanto, de Salvador, na Bahia.  A cidade abriga 4 milhões de habitantes, dos 15 milhões que constituem toda a população do Chile, de extensão territorial de 741.767 km2, apresentando uma variedade climática que lhe permite produzir trigo e vinha no centro, promover a criação de gado bovino e o cultivo da batata no Sul, embora a base de sua economia se finque na exploração de seu subsolo, nitratos, e principalmente cobre e ferro, extraídos do Norte e do Centro do país, destinados à exportação. É curioso observar, na visita aos monumentos históricos da cidade, que muitos dos que resistiram a terremotos, como algumas igrejas, foram construídos pelo sistema cal e canto, um tipo de argamassa constituída de areia, cal e clara de ovos, empregada, por exemplo, nas pilastras do portal do Clube Hípico de Santiago, erguido pelos ingleses enquanto lá estiveram explorando  salitre. Para nós, brasileiros, é bom saber que a Embaixada do Brasil se situa num prédio tombado pelo Patrimônio Histórico Nacional. Além desses monumentos, é preciso lembrar a Catedral Metropolitana, de Nossa Senhora do Carmo, padroeira do país, em estilo românico, localizada na Praça de Armas, e o Palácio de La Moneda, de estilo neoclássico, erguido frente à Praça da Constituição por um arquiteto italiano, cenário dramático dos últimos momentos vividos por Salvador Allende (1973) antes que o país mergulhasse sob o poder de uma das ditaduras militares mais brutais do Continente. 

Hoje, o Chile é governado por Ricardo Lagos –  único do Continente capaz de dizer perante à ONU, como o fez durante a última Assembléia, que sua casa está em ordem -  e que por isso mesmo, ao final do mandato, experimenta invejável índice de aprovação de 76% da população. Ao contrário do nosso “rei” operário, que se empanturra com mordomia mais dispendiosa do que a de todas as monarquias européias, Ricardo Lagos vive em sua casa, sem explorar o erário, cumprindo expediente de trabalho no Palácio de La Moneda. Por isso, a Diretora de Assuntos Fiscais do FMI, Teresa Ter-Minassian, que lá esteve durante nossa permanência, destacou a credibilidade alcançada pelo Chile por sua responsabilidade fiscal, que o diferencia, segundo ela, entre os seus vizinhos do Continente. À próxima administração, ela recomendou apenas que continue mantendo a responsabilidade fiscal do atual governo e que evite o mais que possa a sonegação para que o país eleve seus gastos sociais, sem precisar aumentar impostos. É bom salientar, a propósito, que o Chile não tem favelas, nem mendicância pelas ruas e a violência urbana é mínima, se considerarmos outros países da América Latina.

À tarde, no domingo, almoçamos num restaurante – Donde Augusto -  no Mercado Central, de estrutura de ferro fundido, importada da Inglaterra. Do cardápio,  escolhi linguado grelhado ao molho de camarão,  com purê de batatas e vinho  Cabernet Sauvignon, da Casa Lapostolle, seguindo orientação de Grégoire Gaumont, que nos acompanhava. Mais tarde, fomos, eu e o companheiro, Alcides Ribeiro Vieira Magalhães, ex-oficial do Exército e funcionário do Senado Federal, enfrentar as longas filas que se postavam diante do Museu de Belas Artes para ver a exposição das obras de August Rodin (1840-1917). Detive-me por mais tempo naturalmente diante da série de esculturas de Honoré de Balzac, o qual Rodin mostrou até mesmo ao natural. Pela coletânea de esculturas exibidas em Santiago, muitas das quais em miniatura, fica evidente a preferência do artista, que atormentou a vida de Camille Claudel, levando-a à loucura, em esculpir figuras masculinas – a natureza do homem - quase todas em movimento, como as de Degas;

            Na segunda-feira, pela manhã, depois de saborear o café do hotel e de saber da boa notícia de que Ricardo Sant ´Anna, orientado pelo arquiteto Sérgio  Parada, pioneiro no uso de estrutura metálica na construção de aeroportos no país, que também integrava o grupo, encontrara o passaporte, senti-me mais confortável. E mais prazeroso fiquei, em seguida, ao conhecer Emanuelle Bon, francesa de Nantes, formada em Ciências Econômicas, em Rennes, que nos aguardava junto ao ônibus - o mesmo da noite anterior - para nos conduzir às vinhas dos irmãos Jacques e François, filhos mais jovens da Família Lurton.  A primeira  vinha (bodega) não é exclusiva deles. É uma joint venture com a Bodega William Cole, constituída há seis anos, com produção anual de 2.200.000 lt, destinada à exportação, que fica no Casablanca Valley, referência em aromatização de vinhos brancos chilenos. Há pouco tempo o Casablanca Valley começou a crescer em termos de produção de vinho, pois, antes predominava ali a produção leiteira, que  se transferiu para o Sul do país. Atualmente, existem lá, além da Bodega William Cole, as Veramonte, Viña Mar, Indômita Wine, Willard Estate, Casas Del Bosque, Sotmoyor, Casablanca e Kingston. O Vale é muito frio, pela manhã, permanecendo quase sempre sob densa neblina, o que o torna ideal para o cultivo das uvas Chardonnay e Sauvignon Blanc. Falta água, porém, tanto assim que, dadas as excelentes possibilidades que o lugar oferece para a produção vinícola, já existe projeto de trazê-la de Santiago, abastecida pela Lagoa Negra, encravada na Cordilheira dos Andes, que a gente conhece do alto, sobrevoando a cidade, na saída ou na chegada. Apesar da falta de água, o jardim à frente da Bodega William Cole é magnífico, alternando grama, com rosas brancas e touceiras de lavanda, que dão ao ambiente um aroma formidável. O investimento na Bodega é pesado, o que pode ser constatado pelos 89 tanques de aço inoxidável para a fermentação do vinho e as 850 barricas de carvalho de algumas das mais tradicionais marcas francesas – Seguin Moreau, Chêne Français, Tonnellerie Radou e Demptos Radeaux – para o processo de vinificação. Foi diante desse poderoso equipamento que se deu nossa primeira degustação de vinhos, brancos e tintos, em seus diversos estágios de produção. Dali seguimos para San Antonio, onde almoçamos e degustamos ainda vinhos da linha Lurton no restaurante Logroño, com vista para o mar.  Pernoitamos em Santa Cruz, no Hotel Santa Cruz Plaza, que exibe aos hóspedes algumas obras de arte do período da colonização, como o  mural em alto relevo do salão de refeições. O dia seguinte, terça-feira, amanheceu, como quase sempre, frio e chuvoso. Fomos para a Hacienda Araucano, no Colchagua Valley, de solo argiloso e pedra, referência em uva Carménère do Chile, que abriga outras 33 bodegas. A Hacienda Araucano é de propriedade exclusiva dos irmãos Jacques e François Lurton, onde encontramos, além de inúmeros e portentosos tanques de aço inoxidável, também outros volumosos de concreto. A degustação dos vinhos ali produzidos se deu num chalé, encravado no morro, onde o ônibus brasileiro não conseguia ter acesso. O percurso da ladeira, bastante íngreme e cheia de pedras, teve por isso de ser feito em três carros de passeio. Do chalé, tem-se vista magnífica do vale praticamente todo coberto de videiras, com predominância de Carménère e Cabernet Sauvignon. Ali degustamos, durante um almoço – com peixes e saladas -  os brancos: Araucano Sauvignon Blanc 2005, Araucano Chardonnay 2005, Gran Araucano Chardonnay 2003 e Gran Araucano Sauvignon 2004, e os tintos: Araucano Camenere 2004, Araucano Cabernet Sauvignon+ Camenere 2004, Araucano Cabernet Sauvignon 2004, Clos de LOLOL 2002, Gran Araucano Cabernet Sauvignon 2002 e o ALKA Carmenere 2003 (6.000 gfs), considerado o melhor Carmenere do Chile.

            Deixamos a Hacienda Araucano às 12 horas, preocupados em chegar ao Aeroporto de Santiago com uma hora de antecedência do vôo da Lanchile para Mendoza, na Argentina, previsto para as cinco da tarde.  Quando lá chegamos, porém, fomos avisados de que o vôo sofreria atraso de quase duas horas, só acontecendo, portanto, às 19,00 horas. Quando, mais ou menos uma hora depois, o avião posou no Aeroporto El Plumerillo, de Mendoza, o fez com tamanha velocidade que não tive como deixar de reclamar, no formulário a que respondia, a pedido da empresa, sobre o atendimento que recebera de seu pessoal habilitado de bordo e de terra. Para nós, brasileiros, proibidos de tudo – a ordem aqui é proibir livro, estudo, cultura e trabalho – o Hotel Hyatt Mendonza, onde nos hospedamos, nos acenava com um desabafo: o Regency Casino Mendoza!... Muitos dos nossos companheiros, alvoroçados, faziam planos de exercer seu direito de escolha, que aqui nos é surrupiado, em solo argentino, projetando fortunas a serem extraídas de jogos variados, possivelmente até do bingo que, segundo o nosso “rei” operário, é pior que prostituição infantil. De minha parte, que não gosto de jogo, do partido do governo e de prostituição infantil, dar-me-ia por satisfeito se tivesse à mão um lança-perfume - também proibido por aqui - como os que meu pai me dava, nos tempos do Estado Novo, para jogar no cangote das meninas de Campo Florido (vide “As Raparigas da Rua de Baixo – Memórias de Infância” www.edicoes.com.br) . Por este preâmbulo, quero dizer que los hermanos, argentinos não são uns bananas, como nós!... Não são.  Se o fossem, não teriam, com certeza, plantado num deserto – o índice pluviométrico varia ali de 200 a 260 milímetros por ano - numa região afetada por sismos, uma cidade, como Mendoza, de Primeiro Mundo!...Que divina Mendoza, que assegura aos argentinos a invejosa colocação de quinto produtores mundiais de vinho, além de, utilizando sistema de irrigação, com aproveitamento da água das geleiras, herdado dos Incas, produzir alho, cebola, oliva, flores e frutas de diversas variedades e da melhor qualidade e criações de reses da espécie bovina, caprina e ovina, além  dos famosos cavalos “criollos”.

Com  população de 1.579.651 habitantes, segundo o Censo de 2001, e superfície 148.827 km2, o que lhe dá índice de densidade demográfica de 10,6 habitantes por km2, Mendoza, a quarta cidade do país, me deixou, desde que em seu solo pisei, de queixo caído, talvez por me lembrar de Uberaba, minha cidade natal, que apesar de plantada em solo fertilíssimo, no Triângulo Mineiro, cercada de água e de rodovias, através desses anos todos só perde população por causa da economia estagnada, baseada na criação de gado de corte, de procedência indiana, mas que apesar disso sequer possui até hoje um frigorífico. Ah, Mendoza, que possui em sua bela Praça da Independência, além do Teatro Municipal, do Museu Municipal de Arte Moderna e do Teatro Independência, singelo, mas tocante memorial dedicado aos mendocinos abatidos na estúpida guerra das Malvinas!...  Ah, Mendoza, que também já foi Santiago de Mendonza, pois pertenceu, no passado, ao Chile, o sentir-se orgulhoso por sua quase miraculosa existência não deve ser apanágio dos argentinos, mas de todos os que, neste Continente, temos um coração sul-americano pulsando forte!...Ah, Mendoza, que apesar da sua diuturna luta por água, sabe preservar o verde, exibindo a marca de ser a cidade mais bem arborizada por km2 da Argentina, tendo no Parque San Martin o seu mais exuberante exemplo, onde se pratica – acreditem – o esporte do remo na lagoa, formada por águas represadas das geleiras!....

Na quarta-feira, com temperatura de um grau, seguimos cedo para a Bodega Lurton, de Vista Flores, cujas videiras crescem e criam suas profundas e poderosas raízes, no solo arenoso, de escassa preservação de material orgânico, aos pés da Cordilheira dos Andes, que avisto praticamente coberta de neve.  A Bodega Lurton, de Mendoza, exibe, como trunfo, entre seus inúmeros tanques de aço inoxidável e de concreto para a fermentação e barricas de carvalho para a vinificação, com capacidade de produção de 2.500.000 lt por ano, poderoso selecionador de grãos, do qual só existem nove outros exemplares no mundo. Orgulhoso por nos mostrá-lo, o enólogo, Marco Toriano, um mendocino, fluente em inglês e francês, explicou-nos que o equipamento, recentemente chegado da Europa, é capaz de selecionar até três tipos de grãos ao mesmo tempo. Outra novidade, que ele nos mostrou, num dos recintos da parte administrativa, cuja temperatura se mantém estável, seja qual for a de fora da Bodega, são os adiantados trabalhos para que os vinhos da linha Lurton adotem, em definitivo, tampa sintética, que, se por um lado, perde em mística, em encanto, em relação à tradicional rolha de cortiça, por outro, ganha em durabilidade e permite que as garrafas sejam guardadas na vertical. Depois de percorrermos toda a extensão da Bodega, que é enorme, deu-se início à degustação. Serviram-nos para degustar nada mais, nada menos que quinze variedades de vinho, brancos e tintos, algumas delas exclusivas da Argentina.  Os vinhos mais emblemáticos dos Lurton, alguns deles premiados na Europa e no Japão,  são: Piedra Negra Malbec, Gran Lurton Cabernet Sauvignon, Malbeck Bonnarda e Lurton Pinot Gris. Depois da degustação, às 16 horas – o horário de Mendoza é o mesmo do Brasil – Marco nos levou a almoçar no restaurante da Bodega, onde algumas daquelas variedades degustadas  ainda nos foram servidas para acompanhar frios, saladas e carnes assadas ao estilo argentino. Quando a noite chegou, já nos encontrávamos de novo em Mendoza e diante da notícia de que alguns integrantes do grupo, que por não disporem de agasalhos suficientes, como eu dissera, ou por se haverem exposto em demasia ao frio e aos vinhos daquela manhã, em Vista Flores, se mostravam febris ou enjoados e, por isso, tiveram de ser atendidos pelo médico do Hotel.

            Na manhã seguinte, com algumas desistências, seguimos para a Bodega Don Felipe Rutini, criada em 1885, que abriga, desde 1970, o Museo do Vino, organizado por um dos filhos de Don Felipe – morto em 1925 – chamado Rodolfo Rutini. Através das inúmeras e preciosas peças do Museu, o visitante reconstitui a história da produção vinícola, em Mendoza, que vem desde os tempos da Colonização, quando o traslado da uva era feito por cavalos. Tem também a compreensão de que, embora a tecnologia e os materiais empregados na produção mudaram através dos tempos, o processo de fabricação do vinho continua o mesmo. Do Museu, passamos a visitar a Bodega Família Rutini Wines, que tem capacidade de produção de 7 milhões de litros anuais para atender a todas as faixas do exigente mercado consumidor argentino,  em companhia do enólogo responsável, Mariano Di Paola, que conjuga suas atividades na Bodega, com as de professor da Faculdade de Enologia, da Universidade de Mendoza, primeira e única da América Latina. Para dar conta de sua missão, entretanto, Di Paola conta com a colaboração de uma enóloga, Paula Witkawski, a qual me explica que o mercado argentino não gosta de vinho travado – o que se retém fortemente no paladar – e demonstra forte tendência para o varietal  (de uma só variedade de uva) bem definido e mais balanceado. Isso explicaria, a meu ver, a preferência da Bodega pela uva Malbeck – talvez o Mapema Malbeck 2003 seja, por isso, seu vinho mais emblemático - suavizada, em Mendoza, pelo solo e pelo clima, como esclarece José Saravia Brun, responsável pelo Departamento de Exportação da Família Rutini Wines e grande admirador das belezas naturais do Brasil, cujo território conhece de ponta a ponta. Na degustação, que se realizou durante almoço oferecido, no restaurante da Bodega, com base numa seleção de assados e empanados, tivemos oportunidade de degustar Rutini Champenoise 2000; Rutini Sauvignon Blanc 2004; Mapema Malbeck; Mapema Primera Zona 2002; Felipe Rutini Apartado 2002; Felipe Rutini Dulcinea 2003; Fortified Malbec e Grappa, estes vinhos brancos, doces, para serem servidos após as refeições. Essa mesma linha de vinhos da Família Rutini Wines nos foi servida à noite, num jantar, que as empresárias organizadoras da excursão, Tatiana e Carol, nos ofereceu em um dos melhores restaurantes de Mendoza, Francis Malman, ao qual também compareceu José Saravia Brun, do Departamento de Exportação da Bodega.

            Na manhã de sexta-feira, num passeio turístico pela cidade, uma visita ao Museo Del Área Fundacional, que exibe raridades arqueológicas, desvenda para visitantes, como nós, todo o passado histórico, dramático, de Mendoza, cidade primeiramente criada em 1561, mas totalmente destruída trezentos  anos depois (1861) por um terremoto, da qual restaram apenas ruínas da igreja de São Franciso de Assis. Só muitos anos após o terremoto, foi que os mendocinos conseguiram -  com ajuda inclusive do Chile - construir nova cidade, a que hoje conhecemos, cujo plano urbanístico obedece ao padrão ditado pelos espanhóis durante o reinado de Felipe II, como esclarece o arquiteto Sérgio Roberto Parada, de quarteirões bem definidos, amplas ruas e avenidas e construções sismo-resistentes, distantes uma das outras. Toda a cidade é muito limpa e magnificamente bem arborizada, oferecendo qualidade de vida invejável a seus moradores. O comércio funciona em dois horários: de 8,30 às 12,00 horas e, de 16,00 às 20,30 horas, o que se explica pelo fato de que, no verão, o período, de 12,00 às 16,00 horas, experimenta temperatura extremamente elevada. Além da Praça da Independência, onde se encontram o Hotel Park Hyatt Mendoza e outras instituições culturais municipais, vale destacar a existência da Praça San Martin, na qual se concentram todas a instituições financeiras da cidade. Vale a pena também circular pela 5ª Seção, bairro residencial, de apurado nível arquitetônico, de localização mais ou menos próxima do Parque San Martin, que, em tamanho e beleza, supera o de Brasília,.

            Na manhã de sábado, 21 de maio, com temperatura de um grau, deixamos Mendoza, rumo a Santiago, a bordo de outro aviâo da Lanchile. Logo, o sol  brilhava intensamente sobre a cobertura de gelo da Cordilheira dos Andes que, em pouco tempo, começamos a sobrevoar. A beleza do espetáculo, entretanto, parecia ficar relegada a um segundo plano diante das lamentosas manchetes dos jornais chilenos, oferecidos a bordo, dando conta da terrível tragédia, ocorrida nas montanhas, onde quarenta e cinco recrutas, prestadores voluntários de serviço militar, dada a imperícia de seus comandantes, desapareceram, tragados por uma avalanche de neve. O país estava de luto. O presidente do Chile já recebera manifestação de solidariedade por telefone do presidente da Argentina. No aeroporto de Santiago, permanecemos até às 15,00 horas, onde novamente embarcamos, num airbus da Lanchile, rumo a São Paulo, onde chegamos, às 20 horas, sob tempo também chuvoso e frio. As manchetes dos jornais brasileiros, como sempre, davam conta de novos casos de corrupção governamental, abrangendo Correios, Instituto de Resseguros do Brasil – IRB - , concursos públicos promovidos pela UnB e outros. As lembranças da viagem, porém, nos aconselhavam a emprestar, uma vez mais, ouvidos ao que disse o Papa Benedicto XVI sobre o vinho, cuja reprodução abre este relato de viagem graças à colaboração de Tereza Braga, funcionária aposentada do Tribunal de Contas da União, uma das mais alegres e animadas companheiras desses belos dias que passamos no Chile e na Argentina:

            “O vinho é sinal da alegria, da transfiguração, da criação. Liberta-nos da tristeza e do cansaço do dia-a-dia...Alegra os sentidos e a alma, solta a língua e abre o coração; e transpõe as barreiras que limitam a nossa existênciaSALUTE!...

REYNALDO DOMINGOS FERREIRA


www.fenaj.org.br
5. CÓDIGO DE ÉTICA DOS JORNALISTAS BRASILEIROS

Código de Ética dos Jornalistas Brasileiros
Capítulo I - Do direito à informação

Art. 1º O Código de Ética dos Jornalistas Brasileiros tem como base o direito fundamental do cidadão à informação, que abrange seu direito de informar, de ser informado e de ter acesso à informação.

Art. 2º Como o acesso à informação de relevante interesse público é um direito fundamental, os jornalistas não podem admitir que ele seja impedido por nenhum tipo de interesse, razão por que:
I - a divulgação da informação precisa e correta é dever dos meios de comunicação e deve ser cumprida independentemente de sua natureza jurídica - se pública, estatal ou privada - e da linha política de seus proprietários e/ou diretores.
II - a produção e a divulgação da informação devem se pautar pela veracidade dos fatos e ter por finalidade o interesse público;
III - a liberdade de imprensa, direito e pressuposto do exercício do jornalismo, implica compromisso com a responsabilidade social inerente à profissão;
IV - a prestação de informações pelas organizações públicas e privadas, incluindo as não-governamentais, é uma obrigação social.
V - a obstrução direta ou indireta à livre divulgação da informação, a aplicação de censura e a indução à autocensura são delitos contra a sociedade, devendo ser denunciadas à comissão de ética competente, garantido o sigilo do denunciante.
Capítulo II - Da conduta profissional do jornalista

Art. 3º O exercício da profissão de jornalista é uma atividade de natureza social, estando sempre subordinado ao presente Código de Ética.

Art. 4º O compromisso fundamental do jornalista é com a verdade no relato dos fatos, razão pela qual ele deve pautar seu trabalho pela precisa apuração e pela sua correta divulgação.

Art. 5º É direito do jornalista resguardar o sigilo da fonte.

Art. 6º É dever do jornalista:
I - opor-se ao arbítrio, ao autoritarismo e à opressão, bem como defender os princípios expressos na Declaração Universal dos Direitos Humanos;
II - divulgar os fatos e as informações de interesse público;
III - lutar pela liberdade de pensamento e de expressão;
IV - defender o livre exercício da profissão;
V - valorizar, honrar e dignificar a profissão;
VI - não colocar em risco a integridade das fontes e dos profissionais com quem trabalha;
VII - combater e denunciar todas as formas de corrupção, em especial quando exercidas com o objetivo de controlar a informação;
VIII - respeitar o direito à intimidade, à privacidade, à honra e à imagem do cidadão;
IX - respeitar o direito autoral e intelectual do jornalista em todas as suas formas;
X - defender os princípios constitucionais e legais, base do estado democrático de direito;
XI - defender os direitos do cidadão, contribuindo para a promoção das garantias individuais e coletivas, em especial as das crianças, dos adolescentes, das mulheres, dos idosos, dos negros e das minorias;
XII - respeitar as entidades representativas e democráticas da categoria;
XIII - denunciar as práticas de assédio moral no trabalho às autoridades e, quando for o caso, à comissão de ética competente;
XIV - combater a prática de perseguição ou discriminação por motivos sociais, econômicos, políticos, religiosos, de gênero, raciais, de orientação sexual, condição física ou mental, ou de qualquer outra natureza.

Art. 7º O jornalista não pode:
I - aceitar ou oferecer trabalho remunerado em desacordo com o piso salarial, a carga horária legal ou tabela fixada por sua entidade de classe, nem contribuir ativa ou passivamente para a precarização das condições de trabalho;
II - submeter-se a diretrizes contrárias à precisa apuração dos acontecimentos e à correta divulgação da informação;
III - impedir a manifestação de opiniões divergentes ou o livre debate de idéias;
IV - expor pessoas ameaçadas, exploradas ou sob risco de vida, sendo vedada a sua identificação, mesmo que parcial, pela voz, traços físicos, indicação de locais de trabalho ou residência, ou quaisquer outros sinais;
V - usar o jornalismo para incitar a violência, a intolerância, o arbítrio e o crime;
VI - realizar cobertura jornalística para o meio de comunicação em que trabalha, sobre organizações públicas, privadas ou não-governamentais, da qual seja assessor, empregado, prestador de serviço ou proprietário, nem utilizar o referido veículo para defender os interesses dessas instituições ou de autoridades a elas relacionadas;
VII - permitir o exercício da profissão por pessoas não-habilitadas;
VIII - assumir a responsabilidade por publicações, imagens e textos de cuja produção não tenha participado;
IX - valer-se da condição de jornalista para obter vantagens pessoais.
Capítulo III - Da responsabilidade profissional do jornalista

Art. 8º O jornalista é responsável por toda a informação que divulga, desde que seu trabalho não tenha sido alterado por terceiros, caso em que a responsabilidade pela alteração será de seu autor.

Art 9º A presunção de inocência é um dos fundamentos da atividade jornalística.

Art. 10. A opinião manifestada em meios de informação deve ser exercida com responsabilidade.

Art. 11. O jornalista não pode divulgar informações:
I - visando o interesse pessoal ou buscando vantagem econômica;
II - de caráter mórbido, sensacionalista ou contrário aos valores humanos, especialmente em cobertura de crimes e acidentes;
III - obtidas de maneira inadequada, por exemplo, com o uso de identidades falsas, câmeras escondidas ou microfones ocultos, salvo em casos de incontestável interesse público e quando esgotadas todas as outras possibilidades de apuração;

Art. 12. O jornalista deve:
I - ressalvadas as especificidades da assessoria de imprensa, ouvir sempre, antes da divulgação dos fatos, o maior número de pessoas e instituições envolvidas em uma cobertura jornalística, principalmente aquelas que são objeto de acusações não suficientemente demonstradas ou verificadas;
II - buscar provas que fundamentem as informações de interesse público;
III - tratar com respeito todas as pessoas mencionadas nas informações que divulgar;
IV - informar claramente à sociedade quando suas matérias tiverem caráter publicitário ou decorrerem de patrocínios ou promoções;
V - rejeitar alterações nas imagens captadas que deturpem a realidade, sempre informando ao público o eventual uso de recursos de fotomontagem, edição de imagem, reconstituição de áudio ou quaisquer outras manipulações;
VI - promover a retificação das informações que se revelem falsas ou inexatas e defender o direito de resposta às pessoas ou organizações envolvidas ou mencionadas em matérias de sua autoria ou por cuja publicação foi o responsável;
VII - defender a soberania nacional em seus aspectos político, econômico, social e cultural;
VIII - preservar a língua e a cultura do Brasil, respeitando a diversidade e as identidades culturais;
IX - manter relações de respeito e solidariedade no ambiente de trabalho;
X - prestar solidariedade aos colegas que sofrem perseguição ou agressão em conseqüência de sua atividade profissional.
Capítulo IV - Das relações profissionais

Art. 13. A cláusula de consciência é um direito do jornalista, podendo o profissional se recusar a executar quaisquer tarefas em desacordo com os princípios deste Código de Ética ou que agridam as suas convicções.
Parágrafo único. Esta disposição não pode ser usada como argumento, motivo ou desculpa para que o jornalista deixe de ouvir pessoas com opiniões divergentes das suas.

Art. 14. O jornalista não deve:
I - acumular funções jornalísticas ou obrigar outro profissional a fazê-lo, quando isso implicar substituição ou supressão de cargos na mesma empresa. Quando, por razões justificadas, vier a exercer mais de uma função na mesma empresa, o jornalista deve receber a remuneração correspondente ao trabalho extra;
II - ameaçar, intimidar ou praticar assédio moral e/ou sexual contra outro profissional, devendo denunciar tais práticas à comissão de ética competente;
III - criar empecilho à legítima e democrática organização da categoria.
Capítulo V - Da aplicação do Código de Ética e disposições finais

Art. 15. As transgressões ao presente Código de Ética serão apuradas, apreciadas e julgadas pelas comissões de ética dos sindicatos e, em segunda instância, pela Comissão Nacional de Ética.
§ 1º As referidas comissões serão constituídas por cinco membros.
§ 2º As comissões de ética são órgãos independentes, eleitas por voto direto, secreto e universal dos jornalistas. Serão escolhidas junto com as direções dos sindicatos e da Federação Nacional dos Jornalistas (FENAJ), respectivamente. Terão mandatos coincidentes, porém serão votadas em processo separado e não possuirão vínculo com os cargos daquelas diretorias.
§ 3º A Comissão Nacional de Ética será responsável pela elaboração de seu regimento interno e, ouvidos os sindicatos, do regimento interno das comissões de ética dos sindicatos.

Art. 16. Compete à Comissão Nacional de Ética:
I - julgar, em segunda e última instância, os recursos contra decisões de competência das comissões de ética dos sindicatos;
II - tomar iniciativa referente a questões de âmbito nacional que firam a ética jornalística;
III - fazer denúncias públicas sobre casos de desrespeito aos princípios deste Código;
IV - receber representação de competência da primeira instância quando ali houver incompatibilidade ou impedimento legal e em casos especiais definidos no Regimento Interno;
V - processar e julgar, originariamente, denúncias de transgressão ao Código de Ética cometidas por jornalistas integrantes da diretoria e do Conselho Fiscal da FENAJ, da Comissão Nacional de Ética e das comissões de ética dos sindicatos;
VI - recomendar à diretoria da FENAJ o encaminhamento ao Ministério Público dos casos em que a violação ao Código de Ética também possa configurar crime, contravenção ou dano à categoria ou à coletividade.

Art. 17. Os jornalistas que descumprirem o presente Código de Ética estão sujeitos às penalidades de observação, advertência, suspensão e exclusão do quadro social do sindicato e à publicação da decisão da comissão de ética em veículo de ampla circulação.
Parágrafo único - Os não-filiados aos sindicatos de jornalistas estão sujeitos às penalidades de observação, advertência, impedimento temporário e impedimento definitivo de ingresso no quadro social do sindicato e à publicação da decisão da comissão de ética em veículo de ampla circulação.

Art. 18. O exercício da representação de modo abusivo, temerário, de má-fé, com notória intenção de prejudicar o representado, sujeita o autor à advertência pública e às punições previstas neste Código, sem prejuízo da remessa do caso ao Ministério Público.

Art. 19. Qualquer modificação neste Código só poderá ser feita em congresso nacional de jornalistas mediante proposta subscrita por, no mínimo, dez delegações representantes de sindicatos de jornalistas.

Vitória, 04 de agosto de 2007.
Federação Nacional dos Jornalistas


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6. Atuação de Theresa Catharina na [...]

Theresa Catharina de Góes Campos (theca@[...].com.br) cristã de formação católica é jornalista, escritora e professora universitária.


www.theresacatharinacampos.com/open113.htm

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7. Fundo Cristão para Crianças
www.apadrinhamento.org.br

Mensagem enviada pelo Fundo Cristão para Crianças
Fundo Cristão para Crianças - Sim, nós ganhamos!
BEM EFICIENTE PREMIA FUNDO CRISTÃO PARA CRIANÇAS
www.apadrinhamento.org.br
Prezada Colaboradora:
É mediante atitudes concretas que conseguimos mudar o mundo.
Se cada um de nós fizer a sua parte, contribuindo para a harmonia do ambiente em que vivemos, poderemos construir maravilhas!
Seremos como gotas, que juntas formam a imensidão do mar...
Agradecemos a todos vocês que apostam no trabalho do Fundo Cristão para Crianças e fazem dele uma realidade, proporcionando um futuro melhor para milhares de crianças e suas famílias.
Obs.
Theresa Catharina há quase 20 (vinte) anos colabora com o Fundo Cristão para Crianças, sendo madrinha de duas crianças, indicadas pela organização.

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8. THERESA CATHARINA recebe o PRÊMIO NACIONAL DA IMPRENSA BRASILEIRA - MÉRITO DOM JOÃO VI




A jornalista, escritora e professora universitária Theresa Catharina de Góes Campos foi a escolhida, este ano, para receber, em data e cidade que serão divulgadas em breve, o Prêmio Nacional da Imprensa Brasileira - Mérito Dom João VI, em 2005.
O Prêmio foi instituído com o objetivo de homenagear, prestando reconhecimento público ao seu trabalho e às suas realizações, pessoas que, em suas áreas profissionais e institucionais, estão contribuindo " para o desenvolvimento, progresso e aprimoramento do ser humano e da humanidade ".

A Imprensa - A transferência da Corte Portuguesa para o Brasil trouxe à então Colônia inestimáveis benefícios, dentre os quais a criação de uma imprensa oficial. Pelo decreto assinado em 13 de maio de 1808, o Príncipe Regente D. João criava a Impressão Régia no Rio de Janeiro, cujo objetivo era de imprimir, com exclusividade, todos os atos normativos e administrativos oficiais do governo. Em 10 de setembro de 1808, é impresso o primeiro jornal no Brasil, chamado Gazeta do Rio de Janeiro.

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09. Cartaz de divulgação do Evento Ética na Saúde, do qual Theresa Catharina participou como debatedora.
[Clique na imagem para ampliar]


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10. Cartaz de campanha da Fenaj pela valorização da profissão de jornalista
JORNALISTAS POR FORMAÇÃO
Melhor para o jornalismo
Melhor para a sociedade


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11. A vitória do bem
Agnes Marta Pimentel Altmann

"Sonhar é Viver"... mas Deus nos prometeu que não vivemos só para ter sonhos que irão conosco, sem se cumprir! Pode ser que nossa vida seja mesmo muito passageira mas eu acredito na Felicidade e Paz pelas Promessas de Salvação em Cristo, em que mesmo passando por lutas, temíveis e cruéis, Ele nos garante vitória em vida, como a que Ele mesmo provou ao mundo que a morte não passaria por cima d'Ele sem que Ele a cancelasse perante os olhos dos mais incrédulos "crédulos"!

Afirmações como essas não as digo por força da minha própria convicção, mas porque se há muitas razões para se acreditar no mal, muito mais provas existem de que o BEM desfaz o mal temporário com o qual pelejamos em nossa existência! Só temos que nos educar para vivermos um dia de cada vez, pois até mesmo na natureza as árvores levam muitos anos para crescerem e lutam pela luz para que cresçam cada vez mais altas!

Se Deus dá o que é vital para as plantas e os animais, como os pássaros e os lírios, por que não nos dará o Amor que é a essência de toda a nossa vida?! Confira em Jeremias 33:3. A Paz do Senhor esteja com você hoje e sempre!

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12. Conselho Federal dos Jornalistas


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13 - Republicado na seção Crônicas, do site www.noticiasculturais.com


DANGEROUS PEOPLE?

Theresa Catharina de Góes Campos

If he is left alone - dangerous or not?

A short story

(Fiction or reality?)

In a poorly-lit room, a man of perhaps thirty eats while watching the news on television. People are fighting violently on the screen, but he shows little interest. A few minutes later, after finishing his meal, he decides to get rid of the garbage. He opens the door and there, in the hallway, he sees the bloodied face of a young man being beaten by three others.

Having no desire to become involved, he slams the door. The battered teenager pounds at several doors, trying to find a way out. Although everyone is aware that something is amiss, all doors remain closed. Confident now that no one is going to interfere, the trio laugh at their victim's vain attempts to escape. Inside his apartment, the man returns to watching television, as if unaware of what is happening.

Early the next morning he slowly opens his door and, after looking in all directions, leaves his apartment. He safely disposes of the garbage and drives off, heading for one of his favorite parks. En route he comes across the accident. A girl, whose arms appear to be injured, is attempting to free her companion who got pinned within the car. She sees the approaching vehicle and screams for help. He slows down hesitantly, stopping just to tell her to call the police, then speeds away.

A summer day warms the campsite, like a dream for the ones who would like to forget winter will come again. Hundreds of people are eagerly enjoying the nice weather. Some even give the impression of rushing, for fear of missing short-lived fun. Parents who never seemed to relax, close their eyes to receive the blessing of the sunshine, without giving any thought to bills or rising costs. Children feared to be hyperactive in the heat of the city, now sit for hours, building with sand and little rocks.

The man chooses a spot well away from the others, in order to enjoy his solitude, his indifference and desire to remain free from other people's problems. No troubles, no laughs shared either. A firm, personal policy of no questions asked.

A striking sunset, a rainbow good evening from nature. Two girls approach the area where the uncommitted man has put up his tent. They frolic and laugh, attempting to draw him out of his loneliness. They try several ways of establishing a conversation. He again chooses to ignore their efforts and takes refuge in his tent, clearly preferring the company of his radio.

The wind had been telling the trees, for the last three days, that winter is definitely coming on time. The campsites are not as crowded, though many groups still enjoy common activities all day long.

Back within the safe confines of his temporary quarters, the man lies awake inside his sleeping bag. His mind wanders back to a sign at the entrance of the Provincial Park which reads, "No animal here is dangerous if it is left alone."

He is still thinking, suddenly realizing it is not the same with human beings. He just remembered reading something about the unexpected, odd behaviour of some lonely people... a potential danger to society, like a hurricane not preceded by a warning forecast.

He did sleep after all... but not before he cried for hours.

Theresa Catharina de Góes Campos
Jornal Presence - Ottawa, Ontario, Canada

January, 1982

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14 - Republicado na seção Artigos, do site www.arteculturanews.com


A QUESTION OF HUMAN SURVIVAL

Theresa Catharina de Góes Campos

A mature, intelligent concept of survival advocates Development for all Nations.

Men of vision are never selfish. They are dreamers and accomplishers but they always include others in their plans. Noah´s Ark was not built as a shelter for him alone. In the same way, the human race will survive only if we endeavour by universal co-operation to build together a world in harmony with nature.

Each country has something to offer. In some poor nations, for instance, there is an instinctive respect for the environment, a traditional value which is faithfully transmitted to the young ones, generation after generation. Development projects give less developed communities the opportunity to get acquainted with - and benefit from - advanced techniques. Many who took part in such programs have said that an exchange of contributions did occur which was beneficial to both donor and aid recipient.

Giving and taking balances every human relationship. It means compromising, co-operating, it creates material and moral growth. Unfairness and exploitation may ruin all kinds of relationships between countries or people, whereas practicing mutual respect and encouragement creates a lasting friendship. Solidarity establishes a basis for survival because it increases the chances for co-operation.

We all want to survive and most of us have suggestions as to how to improve society. Unfortunately, too many think that only a few powerful persons can effectively influence human destiny. Let us abandon such a negative premise. Every person´s contribution does count. Quite often, we are the ones to give the necessary means of authority to individuals or groups.

People from all walks of life may benefit from the progress in the field of mass communications in order to increase their participation in society´s affairs. Centuries ago, leaders fought for substantial changes by using the only channel available: personal communication. Nowadays, despite political and socio-economic constraints, it is worth trying to express our views through the media. After all, we are its readership and audience. Without our support, it won´t survive either.

We realize the need to exercise our body to keep it healthy. In the same way we should exercise our mind in order to be free and creative. To abdicate from the responsibility of thinking and interpreting facts and opinions, by leaving it entirely to others, would constitute an unwise policy. Interaction with mass communications will multiply our individual efforts. No other contemporary resource shows such a potential for maximizing the exchange of information capable of promoting development for all nations.

Theresa Catharina de Góes Campos
Jornal Presence - Ottawa, Ontario, Canada
February 15, 1982

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15 - Assinatura das mensagens enviadas por e-mail



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16 - Mensagem de boas-vindas



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17 - Câncer, Direito e Cidadania

Câncer, Direito e Cidadania

Antonieta Barbosa escreveu o livro

"Câncer, direito e cidadania".

A autora

Em 1998, a advogada Antonieta Barbosa contraiu câncer de mama e curou-se. Mas foi freqüentando um grupo de auto-ajuda para portadores da doença que percebeu a angústia e a desinformação das pessoas acerca desse assunto. A partir daí, iniciou uma pesquisa jurídica sobre câncer e, depois de juntar muitas informações, começou a esclarecer as dúvidas das pessoas doentes. Antonieta Barbosa é advogada, natural de Recife.

O livro

Tendo sido funcionária pública por 26 anos e decepcionado-se com a instituição para a qual trabalhou, quando doente Antonieta encontrou na lei um parágrafo que beneficiava o ex-servidor público que contraísse câncer. Ela foi atrás de seus direitos e venceu: conseguiu aposentadoria integral e isentou-se de taxas. Encontrou outras leis que favoreciam o doente: compra de carro sem impostos, possibilidade de quitar imóvel, sacar seguro de vida, entre outras.

Essas e outras informações transformaram-se numa apostila, que a autora distribuía no grupo de auto-ajuda que freqüentava. Nasceu aí a necessidade de escrever um livro sobre o assunto. Em menos de um ano, foram vendidos mais de 4.000 exemplares de Câncer, direito e cidadania. Fruto de 3 anos de pesquisa, é o único livro sobre o assunto no Brasil.

Serviço:

Título: "Câncer, direito e cidadania" - Autora: Antonieta Maria Barbosa Editora: Arx

Informações para a imprensa:

Em Brasília, Marcos Linhares- 61 340 6161 ramal 206 ou 931-2727-marcoslinhares@jornalista.net

Em São Paulo, Vanessa Belleza - 11-3649-4631 - vbelleza@siciliano.com.br

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18 - Espaço do Rey


www.theresacatharinacampos.com/
indecereynaldo.htm


Nesta seção de homenagem e agradecimentos ao amigo e colaborador Reynaldo Domingos Ferreira - escritor, advogado, jornalista, crítico e dramaturgo - estão reunidos os seus artigos e as colaborações que selecionamos para diversas seções dos sites Arte & Cultura News, Notícias e Textos Culturais e o Blog da Jornalista Theresa Catharina


19 - AS CHAVES DE CASA

Há algum tempo não se via um filme italiano tão importante como “As Chaves de Casa”, de Gianni Amélio, inspirado no romance “Nati due volte”, de Giuseppe Pontiggia, que narra, com apuro técnico e atuações magistrais, a tentativa de reaproximação de um jovem pai do filho excepcional, de 15 anos de idade, que ele abandonara desde que nascera, trazendo à reflexão a questão do compromisso do indivíduo para com a família e o respeito dele para consigo próprio, com base em roteiro de Sandro Petraglia e Stefano Rulli.

É por isso um filme duro, doloroso, sem complacência para com o espectador sequer na seqüência final, pois, não o contempla com ilusões passageiras de que, retomada a viagem, ao final da estrada, entrecortada por fiordes, na Noruega, os personagens, pai e filho, superarão seus problemas, suas diferenças. É possível que o pior ainda esteja por acontecer, muito além da percepção do espectador, segundo vaticina o canto “Deus do Fogo e da Justiça”, de Osvaldo Almeida e Geraldo Lima – ouvido desde a seqüência anterior, que acompanha ainda os créditos finais do filme – na interpretação da mezzo-soprano baiana, Virgínia Rodrigues.

Foi com “As Chaves de Casa” (2004) que, pela quarta vez, Gianni Amélio – um nome para não se esquecer - de sessenta e um anos, nascido na Calábria, representou a Itália, sem êxito, como concorrente ao Oscar de Melhor Filme Estrangeiro, sendo as anteriores com os filmes: “As Portas da Justiça” (1990); “Ladrão de Crianças” (1992) e “América” (1994). O filme, entretanto - que tem, por exemplo, excelente fotografia de Luca Bigazzi - conquistou diversos outros prêmios internacionais e nada menos que sete indicações ao Prêmio David di Donatello, da Academia do Cinema Italiano.

Gianni Amélio começou a fazer cinema como assistente de direção de westerns italianos na década de sessenta, época em que Sérgio Leone realizou sua obra-prima “Era uma vez no Oeste”. Mas foi em 1970, que estreou na direção com um filme experimental para a televisão italiana, intitulado “La Fine del Gioco”, baseado em Samuel Beckett. Em 73, dirigiu “La Cittá del Sole” sobre a vida e a ópera de Tommaso Campanella, obtendo o grande prêmio do Festival de Thonon.

Embora tenha realizado um dos filmes italianos mais interessantes da década de oitenta, “Colpire al Cuore”, selecionado para Veneza, Gianni Amélio só ganharia o Leão de Ouro, concedido pelo referido Festival, em 1998, com o filme “Cosi Ridévano”, cujo argumento é semelhante ao de “Rocco e seus Irmãos”, de Luchino Visconti – morto há trinta anos - mas que não obteve boa resposta do público. O grande prêmio do júri do Festival de Cannes, ele ganhou com “Ladrão de Crianças” em 1992. Amelio já tem pronto para ser lançado um novo filme: "La Stella Che no c'é”

A escolha do romance “Nati due volte”, de Giuseppe Pontiggia, para oferecer o argumento de “As Chaves de Casa” não foi coisa fortuita, já que a questão da paternidade é recorrente nos filmes de Gianni Amélio, pois o pai o abandonou, quando nasceu, para ir para a Argentina à procura também do pai, que partira e nunca mais dera notícia à família. O cineasta foi criado pela avó materna. Assim, o filme conta a história de Paolo (Andréa Rossi), um excepcional, afetado ao nascer por complicações com o parto, do que decorreu a morte da mãe de apenas 19 anos de idade.

Abandonado pelo pai, Gianni ( Kim Rossi Stuart), Andréa foi criado pelos tios maternos, os quais, entretanto, entenderam, que, passados 15 anos, os dois precisariam se conhecer e se aproximarem um do outro. Tudo é por eles providenciado para que Gianni acompanhe o filho para fazer avaliação médica em Berlim num hospital especializado. Os dois se encontram numa cabine do trem de luxo que faz o trajeto Milão-Berlim. O impacto inicial do despreparado pai é duríssimo, pois o filho é deficiente físico, com disfunção cerebral e atrofia muscular.

Apesar disso, Andréa enfrenta a situação com certa indiferença, falando, com carinho, dos tios que o criaram – tratados pelos respectivos nomes -, da rua onde mora, do telefone de sua residência e complementa: - O Alberto (Pierfrancesco Favine) me disse uma besteira!...Que você é meu pai. A partir daí, tem-se início a aproximação. Os dois dormem. Quando acordam, o fim da viagem está próximo. Ao chegarem a Berlim, sem falarem alemão, vão direto para o hotel e em seguida ao hospital, onde, Andréa, generoso e comunicativo, procura conhecer outros pacientes, como Nadine (Allá Faerovich), cujo caso é mais complicado que o dele. A mãe dela, Nicole (Charlotte Rampling), porém, estranha o fato de ele estar acompanhado pelo pai: - É sempre a mãe que suporta esse tipo de sofrimento!... Meu marido nem chega perto da filha – ela diz.

Gianni nega ser o pai de Andréa. Diz ser filho de um casal amigo, mas isso fica logo desmentido, quando ele, sob impacto emocional, interrompe o exame de esforço físico do garoto, o que leva Nicole – fluente em italiano, alemão e francês - a dizer-lhe que a médica reclamara, afirmando-lhe que os pais trazem sempre mais problemas para o atendimento do que os próprios pacientes. Em vista disso, no exame seguinte, relativo à epilepsia, feito durante o sono do paciente, Andréa pede que Gianni saia do quarto: Fora!...Eu vou ficar só com ele (o enfermeiro)!...Fora do quarto. Eu não quero você aqui.

Ao contrário dos filmes americanos do gênero, que apelam e às vezes exageram do elemento emocional, “As Chaves de Casa”, seco em suas formulações, procura antes criar ambigüidades sobre o destino de pai e filho neste mundo em que reina a intolerância. Vale observar, a propósito, que nos dois telefonemas dados por Gianni à mãe de seu filho, Francesco, de oito meses, fica evidente a intolerância dela em relação à missão do marido com Paolo, o que coloca ainda mais dúvida acerca das reais possibilidades da convivência de ambos no futuro.

Andréa Rossi, a quem o filme é dedicado, deixa registro memorável de sua atuação como Paolo, assim como Charlotte Rampling, no papel de Nicole, exibindo o brilho de sempre. Embora mais envelhecida, a magnífica intérprete de “Porteiro da Noite”, de Liliana Cavani, continua sendo uma grande figura do cinema. Mas é o ator Kim Rossi Stuart quem realmente surpreende. Além de rigoroso preparo técnico, ele demonstra acurada sensibilidade ao transmitir ao espectador, sem cair, em nenhum momento, na pieguice, no efeito fácil, as nuanças, os detalhes mais recônditos da fragilidade de caráter de Gianni, seu personagem. Um belo e raro trabalho de interpretação, que por isso mereceu, sem dúvida, o prêmio Pasinetti de Melhor Ator do Festival de Veneza.

Vale destacar ainda que, assim como soube usar a música brasileira para imprimir dramaticidade às seqüências finais, Gianni Amélio usou também, com propriedade, a ária “Plaisir d´amour”, da ópera “Il Tedesco”, de Jean Paul Martini, interpretada por um coro de senhoras idosas, nas ruas de Berlim, por onde passeiam Gianni e Paolo – antes de empreenderem inesperada viagem à Noruega - para lançar advertência aos jovens, a qual se ajusta perfeitamente ao tema do filme: O prazer do amor não dura senão um momento. Mas a cicatriz deixada pelo amor permanece por toda vida!... É realmente um belo filme. É ver para conferir.

REYNALDO DOMINGOS FERREIRA
www.revistabrasilia.com.br

FICHA TÉCNICA
AS CHAVES DE CASA
LE CHIAVI DI CASA

(Itália, França, Alemanha/2004)
Direção – Gianni Amélio
Livro – “Nati due volte”, de Giuseppe Pontiggia
Duração – 105 min.
Roteiro – Gianni Amélio, Sandro Petraglia, Giuseppe Pontiggia, Stefano Rulli
Música original – Franco Piersanti
Fotografia - Luca Bigazzi
Edição – Simona Paggi
Elenco – Kim Rossi Stuart (Gianni), Andréa Rossi (Paolo), Charlotte Rampling (Nicole) Allá Faerovich (Nadine), Pierfrancesco Favino (Alberto), Manuel Katzy (motorista de táxi), Thorsten Schwarz (enfermeiro)
Prêmios – Oito prêmios internacionais e nove indicações.

-------------------------------------------------------ELOGIOS PARA O TEXTO DE REYNALDO SOBRE AS CHAVES DE CASA

De: "Antonio Augusto dos Reis Veloso"
Data: Fri, 24 Mar 2006 12:08:29 -0300
Assunto: As Chaves de Casa
Caro Reynaldo,

Só agora estou dando a primeira notícia sobre o seu precioso comentário a
respeito do filme “As chaves de Casa”, de Gianni Amélio. Confesso que li muita coisa sobre a matéria, mas nada que se compare ao cuidadoso relato que você fez, com o nível de detalhes que valoriza toda a sua avaliação e, de certa forma, enriquece a sensação de quem a lê sem ter visto ainda o filme.
Este é o meu caso. Pretendo ver o filme no decorrer da próxima semana.
Voltarei, após isso.
O abraço e os cumprimentos pelo texto.
Antonio A. Veloso


20 - NA NATUREZA SELVAGEM

O que impressiona, desde as primeiras cenas de Na Natureza Selvagem, é como o seu realizador, também ator, Sean Penn conseguiu imprimir tanta sensibilidade em sua narrativa, sem cair na pieguice, para narrar a história de um jovem bom, puro, Christopher McCandless (Emile Hirsch), que deixou a família, no estado da Virginia (EUA), na década de noventa, primeiro, para se tornar andarilho, empregando-se em trabalhos temporários em atividades comerciais e agrícolas e, segundo, para ir à procura, no Alasca, daquilo que projetara ser a sua libertação.

Apoiado nas belíssimas imagens captadas pelas lentes de Eric Gautier (Diários de Motocicleta) e nas eloqüentes canções de Eddie Vedder, por ele mesmo interpretadas, Penn faz narrativa lírica e poética. Deixa então perceptível sua identidade com Christopher que, descontente com a situação social em que vivia e, sob a influência das idéias de Jack London, Henry David Thoreau e Leon Tolstoi, decide se isolar para sempre junto à natureza. A plasticidade da ação é, portanto, o elemento primordial do filme.

Mas é evidente também que Penn, como autor do roteiro, baseado no livro Into the Wild, de Jon Krekauer (1997), sabe respeitar a fronteira que o separa de Christopher. Assim, ele deixa que a personagem exponha suas fraquezas e contradições, até mesmo o egoísmo, próprio da idade, também embrião do autoritarismo, que se vai tornar elemento de identificação de Christopher com Ron Franz (Hal Holbrook), um militar reformado, veterano de guerra, o qual, da mesma forma, tem vida reclusa, isolada da sociedade.

Aos 22 anos, filho de um engenheiro da NASA, Walt McCandless (William Hurt) e graduado, com êxito, no College, Christopher está preparado para ingressar numa das mais famosas e caras universidades dos EUA, a de Harvard. Ele tem uma poupança de 24 mil dólares. Mas os pais - a mãe, Billie McCandless ( Márcia Gay Harden), é consultora de empresa - lhe garantem, na comemoração da formatura, a complementação da primeira anuidade na universidade, que gira em torno de 36 mil dólares porque também, nos EUA, ensino é negócio de lucro. Além disso, os pais se oferecem para dar um novo carro ao futuro universitário, que, entretanto, o recusa.

O perfil que se esboça de andarilho em Christopher não é, portanto, muito diferente dos demais conhecidos em outros filmes, que se insurgem contra a família e partem, sem destino, pegando caronas pelas estradas à procura de aventuras no meio da imensidão do território americano ou, mais precisamente, no caso, uma jornada por Dakota do Sul, Arizona e Califórnia. Antes, porém, ele distribui a poupança que tem com os pobres.

A forma pela qual é narrada a busca de liberdade por Christopher contra o opressivo esquema da sociedade americana é, na verdade, o que seduz o espectador. Pois houve cuidado de Penn em estruturar o roteiro, jogando ora com o presente, ora com o passado e mostrando não só a perspectiva do andarilho, mas também a de quem ele deixou sofrendo para trás, pela narrativa em off da irmã, Carine McCandless (Jena Malone).

É Carine quem faz a ponte de Chris – como ela chama o irmão – com o passado, revivendo os tempos em que ambos eram crianças e presenciavam as constantes desavenças entre os pais, que se xingavam e se atracavam mutuamente. Talvez seja por isso que eles tanto se martirizem, no presente, diante do sumiço do filho que, para se isolar ainda mais da família, muda de nome. Destrói a carteira de identidade. E passa a se chamar Alexander Supertramp.

Se Penn realiza excelente trabalho como roteirista e como diretor, também como selecionador e orientador de atores ele deixa evidente sua marca de qualidade. Pois não há nota dissonante em termos de interpretação. Até mesmo Brian Dierker, treinador de caiaque de Emile Hirsch, que Penn convenceu a interpretar o papel de Rainey, um hippie, que viaja, num trailer, com a companheira Jan (Catherine Keener), apresenta bom desempenho.

Quanto a Márcia Gay Harden, William Hurt e Vince Vaughn estão, como sempre, muito bem em papéis - principalmente o do último, de Wayne Westerberg - de curta duração. E o experiente Hal Holbrook impressiona muito, como o veterano de guerra Ron Franz que, ao se despedir de Christopher, antes que parta para o Alasca, na estrada, de dentro da picape, produz a cena mais comovente do filme. Tanto assim que mereceu a indicação ao Oscar de Melhor Ator Coadjuvante, o qual acabou sendo conquistado por Javier Bardem.

Mas é inegavelmente Emile Hirsch, depois de Sean Penn, a grande estrela de Na Natureza Selvagem. Com 22 anos, Hirsch se torna, depois dessa sua brilhante atuação, um dos nomes mais respeitáveis do cinema americano. Quem o viu em Alpha Dog, de Nick Cassavetes, no papel do criminoso, Jesse James Hollywood, preso no Brasil, que aguarda julgamento na Califórnia, fica surpreso com a evolução. Não porque sua atuação teria sido fraca no filme de Cassavetes. Era como se fora, sim, um diamante para ser lapidado. Pois a lapidação lhe foi dada agora por Penn, que entende, como ninguém, de como se deve compor uma personagem. O ator está soberbo. Chega a se desfigurar por completo ao perder 15 quilos a fim de atingir a plenitude da personagem Christopher, que, embora tardiamente, só nos momentos finais, chega à compreensão de que: - a felicidade tem de ser compartilhada!... É filme que, obrigatoriamente, precisa ser visto.

REYNALDO DOMINGOS FERREIRA
ROTEIRO, Brasília, Revista
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FICHA TÉCNICA
NA NATUREZA SELVAGEM
INTO THE WILD
EUA/2007

Duração – 140 minutos
Direção – Sean Penn
Roteiro – Sean Penn, com base no livro Into the Wild, de Jon Krakauer
Produção – Sean Penn, Art Linson, Bill Pohlad
Fotografia – Eric Gautier
Música Original – Eddie Vedder
Edição – Jay Cassidy
Elenco – Emile Hirsch (Christopher McCandless), William Hurt ( Walt McCandless), Marcia Gay Harden (Billie McCandless), Hal Holbrook ( Ron Franz), Jena Malone ( Carine McCandless), Vince Vaughn (Wayne Westerberg), Kristen Stewart (Tracy), Brian Dierker (Rainey) Catherine Keener (Jan Burres) e Zach Galifianakis (Kevin )


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