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THERESA
CATHARINA de GÓES CAMPOS
HOMENAGENS
1. www.arteculturanews.com (ver
Saúde e Medicina)
2. www.noticiasculturais.com (ver Atividades Físicas)
3. Homenagem a Ely Camargo
4. Pesquisadora do Cinema
Brasileiro
5. A
CASA DO RELÓGIO DE SOL - Cândida Severiana
6. O "DELÍRIO EM PROSA" de
CERES ALVIM
1. www.arteculturanews.com (ver
Saúde e Medicina)
Seção inaugurada em 18 de outubro de 2002, Dia do Médico - e data em que os
católicos também celebram a memória e o exemplo de São Lucas, médico e discípulo
de Jesus Cristo. Recomendo a leitura do best-seller internacional - romance
sobre a vida de São Lucas - da famosa escritora Taylor Caldwell:
"Médico de Homens e de Almas".
MEDICINA: MÉDICOS E PACIENTES
Cuidar, preservar, salvar VIDAS!
Doe vida, doe sangue. Campanha pela Doação de Sangue
Meus Médicos, a quem rendo homenagem de gratidão, por sua competência,
responsabilidade e humanidade:
Dr. Afonso Henriques P.A. Fernandes - Ortopedia - Traumatologia
Dr. João Nunes de Matos Neto - Oncologia Clínica - Cirurgia Geral
Dr. Telmo Dias Borba da Costa - Neurologista
Dra. Zilene do Carmo Marques - Gineco. Obstetra (GINOSUL)
Obs. Fui paciente do Dr. Francisco Eliomar Gomes de Oliveira - Cirurgia
Oncológica e Mastologia, de 1998 a 2000, quando viajou para fazer especialização
nos EUA.
Muito obrigada, queridos médicos! Que Deus os proteja - e a seus familiares - e
os cumule de muitas bênçãos, em todos os dias de sua vida!
Theresa Catharina de Góes Campos
Brasília, 18 de outubro de 2002
HOMENAGEM idêntica à que registrei acima, eu também faço ao Dr. Ricardo Peixoto
Camarinha (que em 2002 ainda não era meu médico) - Cardiologia e Clínica Médica.
E também ao Dr. Luiz Alberto de Mendonça Lima - Nutrologia
Brasília, 24 de abril de 2004
Theresa Catharina de Góes Campos
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2. www.noticiasculturais.com (ver Atividades Físicas)
HOMENAGEM
Esta seção é uma homenagem a dois professores, que me ensinaram a importância de
praticar regularmente uma atividade física:
Prof. EMERSON CORONA e Prof. LUCIANO SALGADO BITARÃES (in memoriam).
Professor de Educação Física
Emerson Corona - (CREF -1393G - SP)
Professor de Educação Física, Pós-Graduado em Condicionamento Físico para Grupos
Especiais e Reabilitação Cardíaca.
Graduado e Pós-Graduado pela UNIFMU (Universidade Faculdades Metropolitanas
Unidas - São Paulo).
Fisioterapeuta
Luciano Salgado Bitarães (in memoriam)
Pós-Graduado em Ortopedia e Esportes
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3. HOMENAGEM A ELY CAMARGO
Na Semana Nacional do Folclore, queremos homenagear Ely Camargo.
Natural de Goiânia, escolheu um gênero de música de difícil interpretação, mas
que precisava mesmo ser difundido: o folclore, as modinhas, a seresta...Sua voz
nos oferta músicas genuinamente brasileiras e, muito em breve, estará
representando o Brasil na Suíça, a convite do Itamarati.
Tendo recebido o prêmio de melhor cantora de rádio, de Goiânia e Brasília, em
1960 e 1961, Ely gravou uma série de long-plays intitulados "Canções de Minha
Terra". Sua mais recente gravação chama-se "Gralha Azul" e é inteiramente
dedicada ao folclore do Paraná.
Uma de suas mais famosas interpretações - "A Canção do Araguaia" (composta por
Joaquim Edison Camargo - seu pai - e Francisco Filomon Mascarenhas), nos fala
desse rio de grande beleza, a banhar uma região com taxas demográficas
baixíssimas, o rio da maior ilha fluvial do mundo: a ilha do Bananal.
Contudo, Ely Camargo não se detém apenas numa região; em seu repertório
encontramos pregões maranhenses (como Preta Zulmira), canções nordestinas,
cocos, danças gaúchas (das quais um bom exemplo é a Meia Canha).
Ao interpretar uma seresta, Ely está revivendo o antigo costume dos namorados,
de conquistar pela música a pessoa eleita por seu coração; esse costume, segundo
o testemunho de Horácio em suas "Odes", já era praticado pelos romanos. Na Idade
Média, em vários países da Europa, os menestréis e trovadores iam de castelo em
castelo, de feudo em feudo, cantando as virtudes de uma formosa dama, a amada de
um bravo cavaleiro...
Entretanto, Ely não "conversa" conosco sobre temas alheios ao nosso passado ou à
nossa tradição. O Brasil, com seu folclore, vive no seu coração e ela o
transmite a nós, pela sua voz.
A primeira música do disco "Gralha Azul" recorda a belíssima lenda, uma das mais
características do Paraná, a "Lenda do Pinheiro e da Gralha Azul", registrada em
texto de Eurico Branco Ribeiro: "Senhor, eu desejava ser mais útil do que sou.
Nada valho, nada faço, mas se a vossa vontade me reforçar, serei capaz de muito.
E para provar mais uma vez que tem poderes para tornar incalculavelmente grande
seja um mero animalzinho, o Criador entregou à gralha uma semente para que a
plantasse e a disseminasse, que faria obra útil. Foi então que surgiu o
pinheiro. E, para premiar a boa intenção da gralha, cobriu-a o Senhor com um
manto azul, que simboliza a bênção do céu."
Descrevendo o diálogo de um caçador e a gralha, o autor continua: "És um
assassino! Vem, acompanha-me ao local onde me interrompeste o trabalho para
aprenderes o meu doce mister. Vês? Ali está a cova que eu fazia, e, além, o
pinhão já sem cabeça, que devia depositar com a extremidade mais fina para cima.
Tira-lhe a cabeça porque ela apodrece ao contacto da terra e arrasta à podridão
o fruto todo; plante-o de bico para cima para favorecer o broto. Vai. Não sejas
mais assassino."
As melodias de "O Fandango" foram colhidas em colônias de pescadores de
Paranaguá; os Jogos Infantis e as Cirandas nos trazem uma mensagem da poesia
simples que as crianças cantam tradicionalmente.
Na passagem da Semana Nacional do Folclore, e com a aproximação do Dia do
Folclore, no próximo dia 22, não poderíamos deixar de homenagear esta
extraordinária cantora do nosso folclore: Ely Camargo.
Theresa Catharina de Góes Campos
Correio Braziliense -21 de agosto de 1966
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4. PESQUISADORA DO CINEMA BRASILEIRO
Berê Bahia é uma dedicada pesquisadora do cinema brasileiro que trabalha
praticamente em tempo integral para coletar dados, reunir informações e
registrar nossa rica memória cinematográfica. Liderando equipe de colaboradores
também devotada a nossos filmes, produzidos sempre com muita dificuldade,
enfrentando imensos desafios econômico-financeiros, inclusive a questão da
distribuição e exibição, Berê escreveu "Trinta Anos de Cinema e Festival - A
História do Festival de Brasília do Cinema Brasileiro", obra bem ilustrada e com
detalhes importantes, não somente para os estudiosos do assunto como para o público.
Os que desejarem adquirir esse livro, elaborado com rigor de pesquisadora, devem
procurá-lo, por exemplo, na Livraria do Café La Película, no Cine Brasília.
Atualmente, a incansável Berê Bahia está com novo projeto em execução: escreve
"Brasília no Cinema - 1960 a 1999", livro que tem por objetivo catalogar todos
os filmes realizados aqui na Capital Federal, nos últimos 39 anos.
Fazemos votos de que a pesquisadora seja cada dia mais conhecida... e consiga
patrocínio para os seus diversos projetos de coleta e registro de informações
cinematográficas. O entusiasmo e a persistência de Berê Bahia merecem suporte
digno do amor que ela dedica à Sétima Arte.
Theresa Catharina de Góes Campos
Cineclube dos Educadores
Brasília, 10 de agosto de 1999
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5. A CASA
DO RELÓGIO DE SOL - Cândida Severiana
Pelas mãos de fada da autora, os leitores têm o privilégio de viajar – no tempo
e no espaço – literalmente, com emoção e sensibilidade. Encontram seus
personagens multidimensionais, autênticos e de grande personalidade – tanto a
narradora como eles não se perdem na multidão ou agem como carneirinhos
liderados cegamente (destacam-se, deixam a sua marca individual, independente,
na esfera em que atuam) – e com eles experimentam os lugares e a sua cultura
própria, vistos de uma perspectiva mais profunda: uma visão espiritual,
enriquecida pelos laços afetivos, duradouros.
Nestas páginas escritas com sinceridade em uma linguagem de prosa que soa como
poesia, a realidade não se mostra limitada, mas de acordo com a sua riqueza de
tempo e de espaço; e vemos que não se pode chamar de irreal, absurdo e
fantasioso aquilo que, na verdade, é simplesmente mais profundo, complexo e se
desenrola no meio ambiente do espírito, que não conhece barreiras materiais ou
fronteiras, sejam estas de países ou épocas. Se não somos os senhores da vida e
da morte, apenas instrumentos ou marionetes nos termos do plano especial de
nosso Criador, por que estabelecer limites rígidos até mesmo à nossa imaginação?
Que estas páginas sejam folheadas com carinho e lidas com gratidão – pois muitos
sentem e se acovardam, desistindo de registrar publicamente a riqueza de sua
sensibilidade e expressão. Esta narrativa atrai pela sua originalidade nas
descrições e pela ausência de uma estrutura formal de enredo; os adjetivos não
foram escolhidos por acaso e sim, com a preocupação semântica do artista no
sentido de que realmente expressem plástica e graficamente a percepção
intelectual da autora, ao contar suas experiências como ser humano que,
eventualmente, assume o papel de turista e hóspede.
Além de contribuir para o nosso enriquecimento espiritual, através de exercício
intelectual que nos convida à reflexão, Cândida Severiana também se une aos que,
conscientes e responsáveis, não aceitam a guerra ou quaisquer conflitos armados.
A Casa do Relógio de Sol se deixa visitar pelos leitores e se revela pela
simpatia de seus habitantes tanto quanto pelo que oferece com habitação; e
Cândida Severiana deixou registrado que se trata de moradia que respira, vibra e
adormece, com uma existência tão VIVA como a de seus moradores.
Comecemos a leitura. Podem entrar. A casa é sua...
THERESA CATHARINA DE GÓES CAMPOS
Brasília, 31 de julho de 1987.
(Prefácio do livro “A Casa do Relógio de Sol”, de Cândida Severiana)
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6. O "DELÍRIO EM PROSA" de CERES
ALVIM
Há mais de três décadas Brasília tem uma ilustre residente: a escritora Ceres
Alvim, admirada e amada por seus leitores e amigos, gratos porque persistiu em
encontrar o tempo e a determinação necessários para produzir obras publicadas
como: "Lágrima Comprida" (1960), "Adivinhão" (1973), "Pau-de-arara do céu"
(1977), "A Casa do relógio de sol" (1988), "Cantata de Natal" (1991), "Poema
dentro da xícara de chá" (1992), "Matinas no portão do céu" (1993), "Um minuto
celestial" (1994), "Serenata para a Boneca" (1995) e "Um navio no telhado". O
delírio dos seus fãs, encontrados no Brasil e no exterior, começa pela leitura
dos títulos e continua até a última página.
As quatro primeiras obras foram assinadas com o pseudônimo Cândida Severiana -
homenagem à sua querida avó e madrinha. A partir de "Cantata de Natal", Ceres
assinou seu nome verdadeiro e contou com a colaboração do neto Pablo Alvim de
Miranda na criação das capas e ilustrações dos livros, passando a oferecê-los
como presentes natalinos à sua família e a seus muitos amigos. Para o Natal de
1998, entregou-nos mais uma preciosidade literária, o "Delírio em Prosa", com
projeto gráfico de Mário Viggiano.
Considerando que foi uma edição particular, com poucos exemplares, com a
permissão da autora selecionamos vários trechos desse lançamento sem alarde...
É uma história de pessoas que sofrem e buscam livrar-se das dores por meio do
espiritismo, da mediunidade, entretanto, o texto mostra-se religiosamente
eclético, alternando realidade, surrealismo, visão interior, magia ocular que se
manifesta em descrições de um lirismo encantador, o que suaviza a temática e o
drama dos personagens.
A minha escolha foi propositadamente subjetiva e católica romana, espelhando-se
na dedicatória de Ceres no livro que recebi de suas mãos abençoadas de
escritora. ("Para Therezita, um retrato de nossa gente, um pedaço de nosso
Sertão. /Deus é Beleza, é Formosura!/ Um abraço e Feliz Natal 98. Da amiga e do
amigo, Ceres e Pablo / Brasília, 24/12/98") Que outros leitores encontrem,
também, os seus parágrafos preferidos!
(...)"Seguiram uma placa indicando Vianópolis e passaram a contornar velhos
quintais, até saírem do perímetro urbano. Aí descortinaram uma linda paisagem
dos dois lados da estrada reta e bem conservada. Flamboyants vermelhos floridos,
fazendas organizadas, cercas bem feitas. Grandes áreas de terra sendo aradas
para o plantio. A cor da terra impressionava pela beleza. Vermelha arroxeada de
beterraba. Uma única árvore frondosa em toda a extensão de terra revolvida.
Flamboyants amarelos começaram a surgir. Na porteira de uma fazenda, dois
flamboyants floridos: um vermelho, um amarelo. Lado a lado, entrelaçando os
galhos de flor. Esplêndidos! Ah, Van Gogh, se você conhecesse nossos flamboyants!
- Lore pensou.As três viajantes comentavam e se encantavam com as árvores. Em
Brasília o flamboyant amarelo é mais raro. Aqui é maioria."
(...) "Um trator infatigável, arando, arando."
(...) "Hoje a paisagem está domesticada."
(...) "Voltaram a admirar as ondulações de terra vermelha, fazendas, flamboyants,
mangueiras, rendadas de bilros, carregadas de frutos."
(...) "Velhas árvores frondosas. Uma delas, a mais bela, cantava alto. Voz de
soprano, de alto registro. De periquitos e papagaios. A árvore vestia-se toda de
verde e dourado, com florinhas amarelas. Cantava a bela feiticeira da cidade dos
espíritos. Da cidade delirante: ESPERANÇA. Sara estacionou o carro à sombra da
cantante e dirigiram-se à pensão, logo à frente."
(...) "O que me interessa e encanta é o dom da cura. Este dom, penso que é
distribuído indiscriminadamente por Deus. A católicos, protestantes, espíritas,
budistas. Quando menina, conheci em Belo Horizonte um padre que tinha este dom.
Padre Eustáquio. Àquela época ele já era famoso. Estive com ele. Toda a sua
figura era a de um santo. Tinha o dom da cura."
(...) "A árvore com voz de periquitos cantou. Um sabiá de papo-roxo cantou."
(...) "No telhado escurecido do Centro Espírita o sabiá de papo-roxo trinou. Com
suas flautas acordou a manhã. Depois a pomba-rola cantou: -Fogo-pagou!
Fogo-pagou! A prima-dona cantou, emitiu seus agudos na ópera sertaneja. De seus
cabelos verdes, de seu decote, dos babados de seu vestido dourado de sol voaram
seres alados: jandaias, periquitos, papagaios. As jandaias em formação, como
pequenos aviões, gritando muito. O sabiá do papo-roxo desceu do telhado e
começou a passear pela rua. Na lavanderia da pensão, oito beija-flores
revezavam-se diante de uma garrafa de plástico, enfeitada de flores. Água com
açúcar."
(...) "Ao mesmo tempo, os galos começaram a cantar, a festejar a noite. A árvore
cantora estava vestida de verde escuro. O céu estrelado refletia-se, brilhava
nos espaços vazios de sua folhagem. Resplandecia. Um vitral de folhas, flores e
estrelas. Os pássaros verde-amarelos dormindo à sombra de seus esconderijos."
(...) "Belezinha queria que a mãe lesse alguma coisa para ela: - O Salmo 91 num
livrinho que ela trouxera. Lore procurou o Salmo e leu: - "Aquele que habita no
esconderijo
do Altíssimo, à sombra do Onipotente descansará".
(...) "De repente, o assunto mudou de rumo, derivou. Chegou à encruzilhada do
Ciúme. Neusa contou que as duas, ela e Lourdes, eram mulheres de cantores
sertanejos famosos. Uma dupla caipira. E passou a relatar o assédio dos fãs e a
luta diária das duas com o monstro de olhos verdes chamado Ciúme."
(...) "Belezinha sentia falta de cantos e orações."
(...) "Por trás dos varais, a mangueira do quintal vizinho exibia suas mangas
sobre o muro. A árvore resplandecia de beleza. Mangas verdes, comuns, compridas.
Penduradas em longos cabos, como colares e brincos. Os frutos enfeitavam a
vaidade da mangueira. Os beija-flores, grandes e negros, cobertos de purpurina
dourada, revezavam-se diante da garrafa de plástico. E brigavam, perseguindo-se
uns aos outros. O gato faraó esticava as pernas, andava sorrateiro, sabe-se lá
com que pensamentos."
(...) "Ela foi até lá e sentiu-se em seu ambiente. Amava os bichos, a
simplicidade das pessoas do meio rural, suas conversas, sua postura diante da
vida. Integrou-se. Encantou-se com os beija-flores."
(...) " A mãe riu. A filha se parecia ao pai, não com ela. Aventurava-se por
lugares primitivos, exóticos, impensáveis para Lore. Selva, cachoeiras, casas
palafitas, macacos pendurados em seu pescoço. Afeição exagerada aos bichos. Só
os insetos a perturbavam."
(...) " - Esta visão é muito triste, Belezinha! Prefiro o céu dos católicos, com
anjos cantando músicas de Vivaldi e Bach. Talvez um anjo tocando um trompete..."
(...) "À noite o concerto é dos cachorros. Negrinha iniciou, latindo fino e
demorado. O cachorro marrom, vizinho dela, latiu duas vezes. Bem rouco. Ela
continuou, insistente. Outros cachorros responderam. Até que todos os da cidade
do Além latiram em coro. Galos cantaram. Um cavalo relinchou duas vezes. Chuva.
Às quatro da madrugada voltaram a cantar os galos. Um respondendo ao outro, em
desafios. Uma vaca mugiu duas vezes. A árvore-laranjeira floresceu, desabotoou
seus botões. Enfeitava-se de pequenos buquês brancos. De noivas. Abelhas e
borboletas festejavam-na. Amanheceu."
Que sensação maravilhosa a que estou
experimentando como leitora: estou na cidade, diante de um computador, apenas
fisicamente... minha mente, o meu coração, estão nos lugares descritos por Ceres
Alvim, junto às arvores, contemplando e ouvindo a natureza! Respirando a magia
lírica da autora, pareço estar compartilhando de seu "Delírio em Prosa"... E o
que mais se pode esperar de uma escritora?
Brasília, 13 de janeiro de 1999
Theresa Catharina de Góes Campos
(Autora dos livros:
"O progresso das comunicações diminui a solidão humana?"
e "A TV nos tornou mais humanos?")
<-- Volta
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