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THERESA
CATHARINA de GÓES CAMPOS
NOVOS PROJETOS
1.CD-Rom/Livro: Existe Vida sem Poesia?
2. CD-Rom/Livro:
As palavras são para sempre?
3. CD-Rom/Livro: Cinema: ver... para sentir, pensar e
ser
4. CD-Rom/Livro: Atividades Físicas
1.CD-Rom/Livro:
Existe Vida sem Poesia?
Poemas e letras de músicas de Theresa Catharina
PREFÁCIO de CERES ALVIM para "EXISTE VIDA SEM POESIA?"
Após a Missa, Theresa Catharina lançou-me um desafio: - Existe Vida sem
Poesia?
Sofri um impacto, retrocedi e fui arremetida àquele instante primeiro da mágica
de Deus:
- "Faça-se a Luz."
Deus lançava a primeira semente: a PALAVRA. E, com ela criava o universo.
De acordo com "Sefer letzirá", o Livro da Criação, Deus criou o mundo com as
vinte e duas consoantes do alfabeto hebraico. ( p.200)
"...Estas letras são os elementos estruturais com as pedras dos quais foi
erguido o edifício da Criação.
Antes que o mundo fosse criado, só Deus e Seu Nome existiram. Tudo o que foi
criado e tudo o que foi falado provêm de um Nome."
A PALAVRA contém energia em potencial. Pronunciada, pode criar ou desintegrar o
universo de cada um de nós. Abarca tudo o que existe. Também a Poesia.
A Poesia é inerente à Vida, inerente a cada um de nós.
O Poeta é aquele que enxerga e vive a Poesia no cotidiano, a cada momento, em
cada ato, expresso ou não pela PALAVRA.
E então vejo diante de mim Theresa Catharina, amiga e poeta, que carrega dois
nomes de santas e doutoras da Igreja.
De onde Theresa extrai tanta energia, vitalidade, seus dias de quarenta e oito
horas?
De onde vem a inteligência privilegiada, um território computadorizado de
conhecimento?
De onde vem esta força arrasadora, o sofrimento transmutado em força?
Penso que da PALAVRA. Da Poesia.
A Poesia fez de Theresa Catharina a grande educadora que é, não só de seus
alunos, mas de nós todos, seus amigos que assistimos a seu desfile pela Vida:
criativa, imperturbável, incorruptível, humanista, doadora de seus muitos
talentos. As mazelas não alcançando, não tocando a fímbria de seu vestido.
A primeira PALAVRA contém o Sonho, a Esperança e a Poesia, esta Trindade verde
que voa dentro de nós, às vezes tão diáfana...
Para que o mundo possa viver sem Poesia, Deus terá que desmanchá-lo. Desmanchar
a Fantasia. Pronunciar uma nova PALAVRA que recolha e guarde em Seu Nome as
vinte e duas consoantes do alfabeto hebraico.
Mas ... Onde estive? Você falava...
- Therezita, o que foi mesmo que você me perguntou?
Brasília, 30 de maio de 1989
CÂNDIDA SEVERIANA
Notas:
1) Cândida Severiana foi o pseudônimo usado, nas primeiras obras literárias,
pela escritora Ceres Alvim, mãe de cinco filhos e avó de Pablo Alvim, que
ilustrou a maioria de seus onze livros.
Amiga, colaboradora e incentivadora de Theresa Catharina, desde 1965, já nessa
época a chamava de "Therezita", como até hoje, seus familiares e amigos mais
íntimos.
2)
Quem leva a Esperança?
Therezita.
A Terra está em grande perigo. Precisa de sua Voz, para salvá-la.
Desejo que este aviãozinho de papel seja o arauto de um futuro brilhante,
criativo e muito Verde para você.
Você que viu e aplaudiu o nascimento de "Paude-arara do Céu".
Meu abraço e amizade de sempre,
Ceres
Brasília, 7/5/2007
(Dedicatória de Ceres Alvim, no exemplar que me ofertou, da segunda edição de
"Pau-de-arara do Céu".)
1. SABEDORIA
A vida é uma peregrinação sem rota certa;
só Deus sabe! Sem a Sua estrela,
tudo é escuridão, incerteza, desilusão;
mas quando a Sua mão nos guia,
temos a certeza de um final feliz.
A vida é viagem num barco frágil,
agitado pelas vagas da dúvida e das incompreensões.
Com Deus, surge a esperança de um porto seguro,
a crença no arco-íris, depois do furacão.
A vida é caminhada por floresta desconhecida;
os amigos que encontramos
são como anjos do Senhor.
Peregrinos como nós,
também procuram um poço no deserto.
Juntos, venceremos a tempestade.
Os amigos são nossos companheiros de viagem.
A vida é uma peregrinação sem rota certa;
só Deus sabe! Sem a Sua estrela,
tudo é escuridão, incerteza, desilusão;
mas quando a Sua mão nos guia,
temos a certeza de um final feliz.
THERESA CATHARINA DE GÓES CAMPOS
Brasília, 20 de julho de 1987.
Letra de balada, em gravação da Golden Music (RJ).
2. DESEMPREGADO POR QUÊ?
O Senhor Jesus, de rosto entristecido,
perguntou à comunidade:
Por que meu filho está desempregado?
Criei a riqueza natural do mundo
para todas as criaturas,
e não, para algumas...
O que vocês fizeram com o seu coração?
Criado por mim à imagem de Meu coração?
Onde está o amor que lhes ensinei?
Por que não respeitam
a vida que Eu lhes dei?
O Meu exemplo sempre sigam:
a seus irmãos sempre amem!
Não quero ver desempregados!
Magoa muito meu amoroso coração
ver uma tal situação!
Theresa Catharina de Góes Campos
Paróquia São Camilo de Lellis
Brasília, 24 de outubro de 1999
3. TROVAS ILUMINADAS
Theresa Catharina de Góes Campos
Brilhe a lua ou venha o sol...
A luz maior,
noite e dia,
está no meu coração.
Haja lua
ou faça sol,
a luz maior é
do meu coração.
Querem saber
de onde vem
e quando começou
essa luz tão intensa?
Ofuscando o sol e a lua,
vem do coração de Deus,
o Criador dos raios de luz,
que criou meu coração.
São Paulo, 03 de dezembro de 2005
***
Obs.
EM AULA DE NATAÇÃO, NASCERAM AS "TROVAS ILUMINADAS".
Hoje, durante aula individual de natação com o Prof. Emerson Corona, ele me
fez uma solicitação inusitada, mas profundamente agradável para mim: fazer uma
frase com as palavras sol e lua.
Estávamos em meio a um procedimento didático adotado por ele, visando me colocar
mais à vontade, sem pensar demais nos detalhes técnicos de cada estilo de
natação.
Trabalhando a dimensão lúdica da aula, fazíamos palavras cruzadas: eu nadava,
seguindo as suas instruções, e, na borda da piscina, ele me perguntava sobre a
resposta, quando eu completava uma chegada.
Ou eu respondia prontamente e voltava a nadar... ou, para encontrar a resposta,
eu continuava a nadar , pensando na questão, para responder posteriormente. Às
vezes, é claro, eu não tinha a resposta. Ou acontecia, também, eu apresentar
duas respostas.
Indagada sobre o "astro que inspira os poetas, com três letras", falei:
"lua... ou sol... ambas as palavras têm três letras e, como eu não estou com o
livro de palavras cruzadas na mão...".
Foi aí que o Professor Emerson me ofereceu um incentivo direto, na verdade,
confesso, um presente para mim, que iluminou todo o meu dia, ao me dizer: " faça
uma frase com sol e lua."
Continuei a nadar, sentindo-me muito feliz por me saber capaz de criar um verso
durante a prática da natação e, me bastaram duas piscinas (uma chegada), para eu
lhe dizer, com sentimento de vitória pessoal e uma enorme alegria interior:
" Haja lua ou faça sol, a luz maior é do meu coração."
A aula terminou às 12.10 h. Antes das 14 h, em meio a outras atividades, meu
coração fez mais versos, que fluíram como se eu quisesse me expressar somente em
poesia... e o poema acima ficou pronto.
Sinceramente, as palavras que vieram do meu coração transfiguraram, com certeza,
todos os instantes de meu dia.
Porque a luz maior, noite e dia, vive no meu coração.
Theresa Catharina
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De: REYNALDO FERREIRA
Enviada: dom 4/12/2005 16:35
Para: Theresa Catharina G. Campos
Assunto: RE: TROVAS ILUMINADAS - Theresa Catharina
Magnífico, Theresa!... São trovas realmente iluminadas. Da conjugação exercício
físico com poesia, surgiu-lhe a sensação de vitória, de realização. Os versos,
inspirados, nasceram-lhe espontaneamente. Obrigado por me enviá-los. Foi ótimo
presente de domingo. (...)
Abs, Reynaldo D. Ferreira
---
De: REYNALDO FERREIRA
Enviada: seg 5/12/2005 07:11
Para: Theresa Catharina G. Campos
Assunto: RE: TROVAS ILUMINADAS - Theresa Catharina
Theresa, Os versos são simples, mas são puros, bonitos. E muito interessantes
são também suas palavras sobre o momento de criação. (...)
Abraços,
Reynaldo D. Ferreira
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From: "Theresa Catharina G. Campos"
To: "REYNALDO FERREIRA"
CC: "Theresa Catharina G. Campos"
Subject: RES: TROVAS ILUMINADAS - Theresa Catharina
Date: Sun, 4 Dec 2005 19:53:36 -0200
Amigo Reynaldo:
Ainda bem que você gostou, apesar de serem
versos bem simples, no vocabulário e na mensagem. Hesitei muito, antes de lhe
enviar o poema. Na verdade, minha decisão foi tomada somente porque valorizei o
momento do processo criativo, a idéia do jovem prof. de natação; e achei que
você acharia interessante a minha explicação, após os versos. De todas as
poesias que eu já escrevi, as Trovas Iluminadas são, realmente, os versos mais
simples, considerando-se o tema principal e o seu desenvolvimento.
Muito obrigada , também, por suas palavras de incentivo.
(...)
Abraços cordiais de
Theresa Catharina
---
TROVAS ILUMINADAS - Theresa Catharina
De: "walter_rf"
Para: theca@[...]com.br
Data: Sat, 10 Dec 2005 15:36:09 -0200
Amiga Theresa:
O seu poema é realmente tocante. Achei bastante profundo e, ainda assim, muito
singelo! Ou seja, de uma "simplicidade profunda...".
(...)
Um abraço,
Walter
Walter Rodrigues Ferreira
Webmaster/webdesigner
Tecnólogo em Processamento de Dados
4. "MENOS É MAIS..."
Porque andar, nadar contra a corrente é minha bússola.
Porque às vezes menos é mais.
"Desistir do sempre mais" é sobreviver.
Menos montanhas e desfiladeiros,
menos precipícios onipresentes.
Mais planície, mais jardins...
Até o menos de um deserto...
pode nos oferecer o presente do...
viver é mais.
Usar menos palavras pode ser
pensar mais.
Menos esforço é mais dinâmica interior.
Porque ouvir você,
no silêncio de seu íntimo, é mais, muito mais.
Menos é mais:
menos estresse, menos exercícios,
menos tensão/pressão, menos colesterol,
menos cobrança,
MAIS escolhas pessoais,
mais tranqüilidade, mais reflexão,
mais saúde!
Uma semana com menos dias de trabalho,
um dia com menos horas de esforço
é mais relaxamento,
para enfrentar melhor o dia seguinte,
para reunir mais energia e
desafiar a semana seguinte.
Um dia de menos lutas,
para mais horas de sono e sonhos,
para um despertar também para os sonhos,
é viver mais, muito mais.
Porque temos mais sede e fome de sonhos,
menos covardia e mais ousadia
do que acreditávamos ter!
E até no menos podemos realizar mais,
se mantivermos a respiração mínima para sobreviver.
Mas para fazer do menos
o nosso mais,
é preciso mais sonho e mais lazer,
ainda que vivamos um processo criativo...
porque até Deus, nosso Criador, escolheu
descansar no sétimo dia!
São Paulo, 08 de julho de 2005
Theresa Catharina de Góes Campos
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2. CD-Rom/Livro:
As palavras são para sempre?
Artigos e outros textos sobre temas diversos
Sabedoria é visão e solidariedade
Theresa Catharina de Góes Campos
Considerando-se a criatividade como um recurso humano
multiplicador e crítico, compreendemos que, ao comentarmos sobre alguém "de
visão", estamos reconhecendo a sua capacidade para agir no presente com
perspectivas futuras. Os indivíduos que se destacam, em sua comunidade, por esse
conhecimento muito especial, na realidade atuam regularmente com padrões
tridimensionais, pois se fundamentam nas lições do passado, próximo e remoto.
Em contato com uma realidade limitada, insistem em examiná-la até descobrirem o
seu potencial de transformação e os instrumentos de mudança que deverão ser
utilizados, em sua dinâmica e seu contexto específicos. Ao contrário do que
pensam os conformistas, eles não vivem loucamente "em outro mundo": pelo
contrário, inseridos na sociedade, não se deixam por ela dominar, conservando,
portanto, a sua liberdade para enxergar alternativas
que consideram superiores. Assim, ao invés de prisioneiros de estruturas com as
quais não concordam, mostram-se capazes de visualizar, às vezes com antecedência
de séculos, o mundo que vale a pena ser construído. Felizmente, com esta visão
interior que mantêm de forma permanente diante de seus olhos (abertos ou
fechados), já começam a construí-lo, sozinhos ou com a ajuda de seus
companheiros.
Os artistas das cavernas pré-históricas, por meio de suas pinturas rupestres,
transmitiram às gerações futuras um testemunho de sua vida primitiva: máscaras,
atividades culturais e de sobrevivência. O fato de que não dispunham de escrita
não se constituiu um impedimento a que buscassem, de algum modo, um instrumento
de comunicação. O teatro grego da Antiguidade Clássica, com personagens da
mitologia, destacou a figura de um cego, Tirésias, porque a sua sabedoria lhe
dava uma visão mais profunda: conhecia a tragédia pessoal de Édipo, assim como
os desígnios do poder divino; não se deixava intimidar pelo fausto e poder
humanos; não hesitava em advertir, revelar, profetizar. Na Idade Média, os
monges copistas que trabalharam humilde e exaustivamente, para que a cultura
greco-romana fosse preservada para os leitores dos séculos seguintes,
demonstraram compreender a importância das obras de artistas, filósofos e
estudiosos.
Leonardo Da Vinci, quando morreu, no ano de 1519, legou à humanidade não somente
a excelência de suas pinturas, como também, inventos científicos os mais
diversos. Na literatura, os romances de Jules Verne deram a seu público o
encantamento de viajar em balões, descobrir o espaço, descer ao fundo do mar,
lutar contra perigos com recursos tecnológicos e dispor da televisão muito antes
dessas técnicas fazerem parte do cotidiano da sociedade.
Felizmente as dificuldades do ensino não desanimaram a poetisa e professora
chilena Gabriela Mistral, cujas obras foram homenageadas com o Prêmio Nobel.
Ainda bem que os rostos marcados pela fome e a miséria de multidões animaram
mulheres de visão, como Madre Teresa de Calcutá e Irmã Dulce, a devotarem tempo
e esforços ao bem-estar desses marginalizados porque desamparados. Em qualquer
comunidade, pessoas com essa força interior para buscar soluções (trabalhando
com situações consideradas, no mínimo, dificílimas) deixam um exemplo a ser
seguido. Aliás, caso nos falte coragem para tanto amor ao próximo, não sejamos
omissos: ofereçamos o auxílio que nos for possível proporcionar.
Em todas as áreas profissionais, a atuação de indivíduos capazes de pensar de
forma abrangente, em profundidade, resultará em benefícios superiores aos
obtidos por aqueles acostumados a repetir ou reproduzir sem pensamento crítico.
O objetivo primordial de todo processo de educação, seja informal ou acadêmica,
deve ser, de fato, adquirir esse conhecimento lúcido, inquiridor, criativo, numa
atitude de permanente atualização e busca de aperfeiçoamento individual e
coletivo.
Esclarecidas e conscientes, as pessoas de visão jamais se acomodam, mesmo quando
aceitam e acatam; com tranqüilidade ou numa "santa agitação" justificada pela
urgência, estão sempre enfrentando novos desafios, sem esperar que os outros se
dêem conta e tomem as suas decisões. Se o grupo se apressa, aquele determinado a
refletir sobre as implicações talvez se reserve o direito de ficar na
retaguarda, analisando o passado, repensando o presente, preparando-se para o
futuro.
Quando muitos se refugiam na inércia, os sábios percebem os absurdos de tal
alienação e, decididos, justificados por sua visão tridimensional, não-limitada
e não-alienada, gesticulam, falam, escrevem, atuam, como a impulsionar a roda
que parece estar presa ao chão. Afinal, suas mãos estão guiadas por olhos
permanentemente fitos nas estrelas do amanhã desconhecido, mas libertador. Visão
pioneira e desbravadora, capaz de forjar o porvir!
Ética na prática
Theresa Catharina de Góes Campos
Viver e trabalhar com ética significa saber conviver, respeitando a dignidade do
próximo, tanto quanto a sua própria dignidade de caráter. Na teoria, fala-se e
se escreve bastante sobre o tema, nos dias atuais, sobretudo porque não é
difícil constatarmos que está na ausência da prática da ética, no dia-a-dia,
apesar de todas as dificuldades e até, muitas vezes, sofrimentos, a origem das
injustiças, desigualdades e problemas sócioeconômicos.
O indivíduo que se coloca, na comunidade, como pessoa humana, reconhece a
demanda interior de abraçar os hábitos de caráter que determinarão sua coragem
em pensar e agir com ética.
Conhecendo a si mesmo e os princípios éticos que se determinou a abraçar, em sua
vida privada e pública, também se acostuma a exigir da comunidade em que está
inserido a transparência ética das decisões, as atitudes marcadas pela retidão
de pensamento, os processos de crescimento orientados eticamente.
Embora os fundamentos da ética nasçam de escolhas individuais, sempre
conscientes de que a vida exige de nós a fidelidade diária a esses princípios,
devemos entender que a convivência constitui um sistema de interação, tanto mais
exigente da ética quanto carente de situações em que os nossos direitos jamais
estão isolados das necessidades e dos direitos do próximo. Nosso espaço interior
- íntimo, afetivo, intelectual - não deve ser considerado como isolado com
relação aos espaços e limites dos outros, próximos ou distantes.
Pensar nos menos poderosos, nos ausentes, nos excluídos, no bem comum... são
disposições internas que nascem da prática da ética, e não, das manifestações
teóricas alardeadas em seu nome.
Segundo Carmen Barreira, " a identidade individual e social cria-se a partir de
uma interação sistêmica, base de toda educação. Sem ética não é possível
falar-se em educação, cujo objetivo fundamental é incitar o afloramento das
capacidades do indivíduo, criar balizas para que elas se consolidem e,
quando maduras, propiciar o espaço necessário para que enriqueçam e transformem
a sociedade na qual esse indivíduo está ou escolheu estar inserido."
Se podemos e devemos exigir, de toda pessoa, atitudes éticas, dos poderosos e
das autoridades espera-se a ética como fundamento de sua posição e atuação.
Justiça, caridade e generosidade são virtudes éticas, os frutos da ética, a
fundamentação filosófica...( e política, no sentido da origem grega da palavra:
a arte de promover o bem comum) para aqueles que mandam, decidem, fazem
acontecer...e para os que a eles estão subordinados também. A justificativa para
tal exigência intrínseca está nos benefícios para a sociedade, formada por seres
racionais, iguais em seus direitos fundamentais. A visão utilitarista seria ver,
como objetivo da ética, chegar-se ao resultado ideal/idealista de obter " o
máximo de felicidade para o maior número de pessoas".
Regras e valores éticos devem estar presentes sem interrupção em nossa vida.
Somente assim é possível evitarmos o caos, escondido ou aparente. Em nenhum
momento a ética se torna, sob quaisquer pretextos, dispensável, quer seja no
lar, na igreja, no trabalho, nas atividades intelectuais, no convívio social, na
prática sindicalista.
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3. CD-Rom/Livro:
CINEMA: VER... PARA SENTIR, PENSAR e SER
Textos sobre a arte cinematográfica e os comentários de filmes
Nem sempre é fácil indicarmos um filme ao público, justificando nossa opinião
sobre a sua qualidade técnica, formal e/ou de conteúdo. Precisamos seguir um
caminho profissional que reconheça nossas características pessoais e
circunstâncias externas, além de exercermos a aptidão necessária da empatia,
colocando-nos insistente e sucessivamente no lugar dos leitores e ouvintes.
Nessa busca persistente, orientada pela consciência de nossa responsabilidade,
iluminada pelo amor que devotamos ao cinema como "síntese de todas as artes",
visamos, não à chegada de um porto seguro de "verdades"passivas, mas
vislumbramos o empreendimento de uma viagem cultural, humanística e dinâmica, a
cada dia reiniciada com maior entusiasmo (mesmo disfarçado,face à preocupação de
objetividade).
De nós, jornalistas, formadores de opinião, numa atividade constante de procurar
as informações, e num contexto de reflexão crítica, interpretá-las para que
sejam encaminhadas aos que muito esperam de nosso trabalho, a sociedade aguarda
nossa contribuição. Ao transmitirmos os informes - objetiva e subjetivamente
(sim, o público quer a avaliação pessoal do crítico!), estaremos nos colocando
em uma situação dinâmica, pois as nossas palavras provocarão efeitos individuais
e no mercado. Compreender isso significa entender que somos responsáveis,
também, no processo da comunicação cinematográfica.
Escrevo essas observações não somente para os meus colegas; dirijo esses
comentários, também, ao público, para que se conscientize igualmente do que
precisa exigir de todos os profissionais que assumiram a proposta de freqüentar
com assiduidade as salas de exibição. Para confiar nos textos
informativos/opinativos, a sociedade supõe a dedicação a uma atividade regular
(jamais esporádica, eventual...) de comparecimento, estudo comparativo, pesquisa
de bibliografia e filmografia. Assim, os conceitos emitidos (sejam de elogio ou
repúdio) estarão fundamentados: na presença às sessões de cinema (em vídeo,
dizem os entendidos, "não é o mesmo filme"); observação das platéias;
verificação das condições da sala e da projeção; bem como leituras e conversas
que representem um autêntico intercâmbio de pensamento.
Afinal, opiniões próprias não devem resultar de isolamento, e sim, de coleta de
informações, análise desses dados e convicção no exercício do mister
jornalístico. Embora se possa afirmar que a obra de arte vale por si mesma, o
contexto em que a vemos influi, sem dúvida alguma, na apreciação que fazemos.
RITUAL DE CULTURA
A sociedade necessita do cinema como ritual de cultura. Uma prática salutar,
intelectual, afetiva. Uma forma de lazer, muitas vezes; contudo, não podemos
esquecer seu papel documental, sua ação denunciadora, perturbadora,seus convites
à reflexão crítica.
Instrumento de educação da sensibilidade a idéias, sons, imagens, diálogos,
expressões faciais; oportunidade para crescermos como seres humanos, saindo de
nosso espaço individual limitado e penetrando nas mentes e nos corações
revelados na tela, unindo as nossas preocupações às de outros povos, outras
cidades, regiões, nações. Ouvindo vozes longínquas... Abraçando - sem sairmos da
poltrona - companheiros de humanidade. Há ocasiões em que resistimos, porém a
nossa comoção mostra-se mais forte, mais avassaladora, nesses momentos
especiais, que o constrangimento social: e as lágrimas vêm, poderosas,
inevitáveis porque o filme as provocou de imediato, sem nos dar tempo de erguer
barreiras ou correr para a nossa solidão.
As nações se transformam em bairros conhecidos; os forasteiros, em vizinhos
sobre os quais conversaremos depois da sessão com os amigos ou desconhecidos;
familiarizados com o seu comportamento nas cenas a que assistimos, conhecedores
de seus sentimentos e suas atitudes...até de seu vocabulário. E como ocorre na
vida real, não é todo dia que lhes concedemos a nossa concordância; diretores e
personagens ocasionalmente suscitam discussões acaloradas, sobretudo quando
procuramos compreender os objetivos de seu trabalho. Estilos e linguagens tão
diversificados proporcionam múltiplas escolhas, opções para estados de espírito
do freqüentador, necessidades culturais as mais variadas.
Escrever sobre cinema demanda, além do mais, uma postura de incentivo a esse
ritual de cultura. Damos o exemplo de comparecermos às salas de cinema, de
conversarmos com entusiasmo sobre o assunto, de nos debruçarmos, diligentemente,
sobre as leituras referenciais e outros materiais. Da empolgação com os
travellings, as panorâmicas e os closes, retiramos o fôlego para vermos os
filmes repetidas vezes, memorizando os diálogos preferidos, absorvendo as suas
cores, luzes e sombras. A interpretação nos convence e surpreende; a sonoplastia
parece ter vida própria, a fotografia de qualidade transforma em quadros
originais os lugares mais comuns.
Um bom filme: enriquece a nossa rotina! Faz, do ritual do cinema, em sua
repetição convicta, uma festa,uma celebração da vida, mesmo quando se mostrou a
morte em traços impressionistas ou na crueza do realismo-naturalismo. E a
velocidade da projeção dos fotogramas, criando a ilusão do movimento, vivifica o
que parecia fugaz, eterniza o temporário.
A JORNADA DO OLHAR
Numa peregrinação que pode até ser inconsciente, o trio coração- mente-visão (a
ordem dos fatores é variável...) segue a jornada de filme a filme, num processo
de capacitação emocional e de observações intelectuais aberto a qualquer ser
humano que se disponha a conhecer o cinema cada vez mais intimamente. Acredito
nos efeitos benéficos dessa jornada que nos aproxima de outros seres humanos,
envolvidos na criação, realização e divulgação das obras cinematográficas. A
sétima arte - em todos os seus estágios, entre os quais há desdobramentos como
produtos comerciais disseminados no mundo inteiro (fotos,livros, camisetas,etc.)
- emprega crescentemente um maior número de pessoas.
A necessidade da empatia é fundamental, pois não se trata de uma estrada de mão
única...Ninguém realiza um filme para que ninguém o veja. Busca-se um público,
limitado ou não. Encontramos, portanto, na peregrinação dos olhos que desejam
VER, uma atitude, ao mesmo tempo passiva e dinâmica, de comunicação humana. A
visão interior pode - e deve - crescer com o passar do tempo, exigindo um nível
de qualidade.
Há numerosos exemplos na literatura e nos textos bíblicos que se referem aos
olhos que não vêem, aos ouvidos que não ouvem... Nossa proposta de caminhada com
o cinema representa a esperança de que a platéia se aperfeiçoe,
concomitantemente, obtendo/alcançando os efeitos de um aprendizado humanístico.
A educação da sensibilidade conduziria a um respeito maior pelo próximo, à
valorização da vida, à solidariedade e à criatividade. Isso não se restringe ao
campo emocional. Sentir significaria uma abertura para a filosofia aplicada a
nós mesmos e aos outros; uma oportunidade contínua e permanente de pensar em
termos míticos e místicos; um repúdio a todas as formas de violência.
Pensar com sensibilidade inclui o próximo, em nossas opções. Bem sabemos que há
filmes capazes de revolver profundamente nosso íntimo. Ao nos sensibilizar, o
cinema nos transforma como pessoas. Comédia, drama, documentário, aventura,
suspense...o gênero é uma questão da multiplicidade de escolhas a nosso dispor.
O que importa: a qualidade dos filmes. E a nossa disposição de, em busca do
lazer e da cultura, nesse ritual encontrarmos mais um caminho para SER.
*Theresa Catharina é Jornalista e professora universitária, fundadora e
responsável pelo Cineclube dos Educadores.
<-- Volta
ACADEMIAS SEMPRE DÃO LUCRO AOS HOTÉIS
A hospedagem em um hotel confortável é decidida com base, inclusive, nas
instalações e nos serviços que pode oferecer aos seus clientes.
Um dos principais diferenciais para a escolha de um hotel está na academia de
ginástica a ser utilizada regularmente, da qual se exige equipamentos
diversificados e professores especializados, além de ambientes adequados.
Para a grande maioria dos hóspedes, a consciência de que necessitam
exercitar-se, tanto em suas viagens de negócios como nos períodos de lazer,
sozinhos ou acompanhados de seus familiares e amigos, faz com que selecionem o
hotel que dispõe do que eles precisam, todos os dias, para relaxarem e,
praticando atividades físicas, preservarem a sua saúde, seu bem mais precioso.
Homens e mulheres atualizados procuram essas condições, que são uma prioridade
maior do que o preço de uma diária. Ou melhor, considera-se que o valor da
hospedagem foi calculado, também, com a inclusão de uma academia de ginástica.
Na contabilidade de lucros e despesas dos estabelecimentos hoteleiros, o que não
se deve negligenciar, portanto, é o papel de importância e destaque representado
pelo uso dessas instalações, a cada dia mais valorizadas, não só pelos médicos,
como por outros profissionais, enfim, por todas as pessoas esclarecidas.
Na academia do hotel, os hóspedes têm acesso rápido e seguro ao local, cientes,
igualmente, de que ali vão encontrar uma equipe de professores de educação
física, preparados para orientá-los com eficiência e cuidado nas atividades as
mais variadas.
Muitas vezes, entretanto, o lucro que as academias representam para os hotéis é
menos visível...porque já estão incluídos no valor das diárias diretamente pagas
pelos hóspedes ou seus agentes.
O que não significa, porém, que essa contínua, constante e permanente
lucratividade que as academias de ginástica sempre proporcionam aos hotéis, por
assumir uma forma discreta de ganho, não exista! Trata-se, na verdade, de um
lucro embutido em outros valores, com a sua visibilidade um tanto prejudicada...
Esses lucros disfarçados ou vendados, ocasionalmente "guardados a sete chaves"
,ou talvez , até mascarados com outros nomes no registro contábil, induzem a uma
conclusão errada. No entanto, quem sabe procurar de olhos abertos, guiados por
mente bem preparada, vai logo encontrá-los.
Para sermos justos e realistas, nessa questão podemos afirmar, sem medo de
errar: as academias para atividades físicas que funcionam nos hotéis estão
sempre proporcionando bons lucros aos hotéis!
Theresa Catharina de Góes Campos
São Paulo, 28 de abril de 2007
<-- Volta
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