Theresa Catharina de Góes Campos

 

 

 
LUÍZA CAVALCANTE CARDOSO:

NOSSA SOLIDÃO!



De: LUÍZA CAVALCANTE CARDOSO <luizaccardoso@gmail.com>
Date: sáb., 8 de nov. de 2025

NOSSA SOLIDÃO!

Interessante refletir de que é feita nossa solidão. De qual material ela se objetiva, fortemente presente como garra que aperta o pescoço ou peso que afunda no peito. Enquanto as lágrimas insistem em se mostrarem, embora desejássemos escondê-las. Porque parece que temos vergonha de nos sentirmos sós e angustiados. Como se fosse um pecado e, ao contrário, houvesse uma obrigação de ser feliz. Não deixa de ser uma quimera. Quem, humano, pode deixar de sentir este certo estranhamento de si próprio, dos outros e até da vida em geral, em determinados momentos? Quem pode ignorar aquela angústia que chega mansamente, inundando o nosso ambiente interior de tons cinzentos? Aquela tristeza liquefeita se esparramando lentamente ao nosso lado ou dentro de nós?

Explicações? Muitas. No entanto, aparentemente impróprias para alguns, caso estejamos em um modo de vida objetivamente confortável. Com bens materiais suficientes e pessoas queridas em volta. Como se nosso espírito e nossa mente nos colocassem em perfeita sintonia com os estímulos externos. E nossas reações fossem previsíveis, perfeitamente adequadas aos resultados esperados. Como se nos dominasse um mecanismo que de forma prática e mecânica, nos destinasse a responder exatamente o que seria mais apropriado.

Somos feitos de previsibilidade? Aparentemente, nossas dores são específicas, pessoais, únicas. Nascem lá de dentro de nossas contradições, nossas experiências, nossa noção de limites de vida, nossa sensação de finitude. Nossa inquietação quanto ao futuro, cada vez mais condicionado pela redução do tempo. E nossas relações, nem sempre compreensivas e atentas, embora cheias de carinho. Assim ouvi algumas pessoas falarem de solidão. Assim consegui entender os meus próprios sentimentos. E nos identificamos.

E nada parece sem explicação. Nada parece estar de acordo com a ideia de que se temos bens, se somos rodeados de pessoas queridas e se temos relativa saúde é quase impossível sentir tristeza, solidão. Será? Porque faz parte de nosso repertório humano buscar razões que a própria razão desconhece. Faz parte de nosso coração se constranger por motivos que se encontram bem na intimidade do ser. Envolvidos por uma realidade que só a nós pertence. Que só diz respeito às características do que somos e vivemos, diferentes de qualquer outro, assim como o são as impressões digitais.

Sim, as impressões digitais de nossa alma. Que gostaríamos acessíveis ao entendimento das pessoas queridas. Do outro que nos cerca e observa carinhosamente. Mas nem sempre isto é possível. Porque existe um caminho. O caminho que se encontra em nós e cuja escolha de percorrer não é fácil para aqueles que estão ao nosso lado. Então, nos sentimos sós. Mas para quem o sentimento de solidão se tornou um companheiro, para quem se perdeu em questões não respondidas e que dizem respeito a como ficará o futuro e cuja angústia lhe tomou o coração, importa saber: é passageiro. E a força que nos trouxe até aqui com tudo que vivemos e realizamos é a mesma força que compreenderá o tempo de nossa solidão e estará à espera para que retornemos à vida. (11/2025/luiza)
 

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