Theresa Catharina de Góes Campos

 

 

 
*Os Anos que Me Restam.*
Pablo Neruda

_*“Nunca tinha pensado nisso desta forma, até que uma manhã, com o café fumegando, compreendi que os anos que tenho… já não os tenho.*_
_*Sim, soa estranho, mas é a verdade. Aqueles anos que digo ter já se foram, permanecem em fotografias, em risos antigos, em amores que já não doem, em roupas que já não me servem e em sonhos que mudaram de forma.*_
_*Os verdadeiros anos que tenho são os que me restam para viver, os que ainda não me viram rir às gargalhadas, os que ainda guardam um abraço, uma conversa sob a lua ou um brinde inesperado.*_
_*Nesta idade, compreende-se que o tempo já não se mede em velas ou novas rugas, mas em momentos valiosos, em risos que se prolongam e em silêncios que não nos pesam.*_
_*Quero passar os anos que me restam devagar, sem pressa, com a calma de quem já não precisa de provar nada. Já não me preocupo se o relógio está a correr.” Ou se a vida mudar de planos. Que ela siga seu curso, que mude, que me surpreenda.*_

_*Tudo o que eu quero é que os anos que me restam sejam meus, verdadeiramente meus… vividos com a alma aberta, o coração em paz e a certeza de que tudo o que fui, com meus erros e acertos, me trouxe até aqui.*_

_*E aqui estou eu: tomando café, observando a vida passar pela janela, grato pelos anos que já não tenho… e abraçando com carinho aqueles que ainda viverei.*_
 

Jornalismo com ética e solidariedade.