Theresa Catharina de Góes Campos

 

 

 
LUÍZA CAVALCANTE CARDOSO:

NOVAMENTE AS EMENDAS!




De: LUÍZA CAVALCANTE CARDOSO <luizaccardoso@gmail.com>
Date: ter., 3 de fev. de 2026

NOVAMENTE AS EMENDAS!


No Correio Braziliense de hoje, 03 de fevereiro, o artigo de Luiz Carlos Azedo trouxe referências a declarações do sr. Hugo Motta, Presidente da Câmara Federal, na abertura dos trabalhos no Congresso Nacional. Afirmando que as emendas são uma expressão concreta da soberania do Congresso. Reagindo à narrativa de moralização “que associa emendas à opacidade e clientelismo.” Por fim, sinalizando que qualquer tentativa de mexer na execução das emendas parlamentares ao Orçamento da União sem o Congresso será considerada como uma afronta institucional. Por todos os deuses! E a tentativa de um cidadão de questionar o que considera errado em relação ao tema é uma afronta também?

As emendas parlamentares foram criadas pelos senadores e deputados na Constituição de 1988 para encaminhar recursos do Orçamento Federal a serem destinados às suas bases eleitorais. Financiando obras em parceria com Prefeituras ou estados. Ou seja, utilizando recursos públicos para propaganda eleitoral gratuita, aumentando o seu potencial político. Através de vários tipos de emendas: individuais, de bancada, de Comissão e do Relator. Em 2015 as individuais foram consideradas impositivas. Isto quer dizer, de pagamento obrigatório pelo Executivo. O total previsto para as emendas em 2025 foi de R$ 50.4 bilhões. E a cota individual para cada senador de R$ 40.8 milhões e cada deputado R$ 38.9 milhões. Para 2026 a previsão é de R$ 61 bilhões. O que corresponde a um aumento em relação ao ano anterior, sendo maior do que o resultado primário do fechamento das contas públicas. Que segundo Raul Velloso, corresponde a um rombo de R$ 56 bilhões. Ou seja, em relação a sua magnitude, os números relacionados às emendas parlamentares são maiores do que o déficit em nossas contas e maiores do que os orçamentos de vários ministérios. Como justificá-las?

Segundo os estudiosos do assunto, quais são os problemas causados na realização das emendas? Descoordenação, com alocação desorganizada de recursos. Falta de transparência, quando não seguem os critérios técnicos claros, levando a desvio e captura de recursos. Conflito de interesses, na medida que servem como troca política, gerando não só conflitos como desvio de finalidades. Desigualdade na alocação de recursos favorecendo Prefeituras ou estados que têm apoio dos parlamentares. Interferindo na eficiência da gestão pública. E o impacto no planejamento orçamentário sob controle do Legislativo, que é bem maior do que a média dos países da OCDE. Trata-se de uma significativa e invasiva intervenção do Legislativo no Orçamento Federal. Em obras isoladas enquanto o processo estrutural de desigualdade social necessita de atenção e trabalho.

É necessário lembrar o nível de corrupção que envolve muitos casos. Podendo servir também para criar conflitos de interesses entre os próprios parlamentares, como no caso da servidora da Câmara a quem foi dada a função de organização e operacionalização das emendas na Presidência do sr. Arthur Lira (PP- Al). Ela foi alvo de investigação ordenada pelo Ministro Flávio Dino com a cooperação da Polícia Federal. Atualmente, o Supremo Tribunal Federal (STF) investiga 80 parlamentares e ex-parlamentares. Como resultado, o Presidente do Senado e da Câmara pretendem apresentar ao STF um plano cujo objetivo é garantir a transparência e rastreabilidade das emendas parlamentares. Quem sabe este plano não poderia ter sido implantado há algum tempo? Afinal, é de nosso país que tratamos. É de nossa pátria..

Na Nova Antologia de Vinicius de Moraes encontramos o poema “Pátria Minha” - “Se me perguntarem o que é a minha pátria, direi: / Não sei. De fato, não sei/ Como, por que e quando a minha pátria/ Mas sei que minha pátria é a luz, o sal e a água/ Que elaboram e liquefazem a minha mágoa/ Em longas lágrimas amargas.” Mais adiante o poeta diria: “Não te direi o nome, pátria minha/ Teu nome é pátria amada, é patriazinha/Não rima com mãe gentil/Vives em mim como uma filha, que és/ Uma ilha de ternura: a Ilha/ Brasil, talvez.” (01/2026/luiza)
 

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