“Só quem ama pode
ter ouvido capaz de ouvir e de entender
estrelas”
Trecho do poema
“Via Láctea” de Olavo Bilac
Há alguns dias, pude
contemplar um céu estrelado, daqueles que
não são ofuscados pelas luzes da cidade. E,
assim, tive uma conversa com o Sr. Céu.
Admirando suas estrelas que
brilhavam, pus-me a refletir sobre o brilho
que o firmamento apresenta, ora pela luz do
Sol, ora pela luz de outras estrelas.
Algumas delas, inclusive, bem maiores do que
o nosso Sol, porém mais distantes de nós.
Seja de dia ou de noite, as
estrelas estão sempre ali, e não deixam de
irradiar sua luz.
Diante desses pensamentos,
refleti sobre as nossas próprias
“estrelas-virtudes”. Começou, assim, o
diálogo:
— Se diante desta escuridão
as estrelas brilham, onde estarão as nossas
estrelas nos momentos de trevas?
E o Sr. Céu me respondeu:
— Assim como as minhas
estrelas existem tanto no claro quanto no
escuro, as de vocês também. No entanto, por
não as conhecerem ou por medo de não
brilharem, vocês adquirem tantas luzes
artificiais que as suas próprias estrelas
parecem sumir. É tal como acontece nas
grandes cidades, cheias de prédios, outdoors,
carros e postes.
— Mas, se eu vivo em uma
cidade grande que demanda iluminação
artificial, como viverei sem essas fontes
externas de luz?
— As fontes externas são
úteis para vocês, humanos, mas não devem ser
usadas 100% do tempo. Assim como você está
aqui, em meio à natureza, onde pode admirar
as minhas estrelas, coloque-se também diante
da sua própria natureza. Apague um pouco as
luzes artificiais e perceberá as suas
estrelas. Deixe-as brilharem para si e para
os demais.
— É uma possibilidade. Mas,
se as estrelas são as virtudes, e o Sol é a
estrela mais próxima, como saber qual é o
meu Sol?
— Se você para a fim de ver o
meu Sol, pare também para se observar. Ao se
levantar, veja o Sol que nasce em você; por
mais que o dia esteja nublado ou chuvoso,
ele permanece ali. De igual maneira que me
admira, olhe para si como se fosse eu: com o
mesmo encantamento e admiração. Assim,
poderá descobrir e deixar o seu Sol brilhar.
— E quanto às minhas estrelas
mais distantes? O que faço com elas?
— Simplesmente deixe-as
brilhar, assim como eu faço. Descubra em
você as suas estrelas e constelações e
permita que outros também o façam. Se elas
lhe parecem muito distantes, não se
incomode; apenas deixe-as brilhar. Um
pouquinho de luz que cada uma consiga emitir
já é suficiente para o seu aprimoramento.
— Tenho muito a aprender
sobre os seus mistérios e sobre os meus.
— Que você siga querendo
aprender sobre os meus mistérios, mas,
sobretudo, que se comprometa a aprender
sobre os seus. Reflita e deixe as suas
estrelas brilharem também.
E debaixo de um lindo céu
estrelado, agradeci a honra do diálogo com o
Sr. Céu.
Thenille
Faria Machado Carmo
Aluna da Nova Acrópole
Lago Norte/Brasília-DF
Poema: "Via
Láctea" de Olavo BilacInspire-se
nos poemas de Olavo Bilac disponíveis no
site da Academia Brasileira de Letras. Olavo
Braz Martins dos Guimarães Bilac era
jornalista, poeta e inspetor de ensino.
Nasceu no Rio de Janeiro em 16 de dezembro
de 1865, e faleceu, na mesma cidade, em 28
de dezembro de 1918. Um dos fundadores da
Academia Brasileira de Letras, criou a
cadeira nº. 15, que tem como patrono
Gonçalves Dias.
Vídeo: REFLEXÃO:
amplia Consciência e constrói IdentidadeA
professora e voluntária de Nova Acrópole
Lúcia Helena Galvão sintetiza alguns
importantes elementos sobre o valor da
reflexão para a ampliação da nossa
consciência e para a construção de nossa
identidade mais profunda. Refletir é uma das
ferramentas que a filosofia utiliza para
compreensão do Universo e de nós mesmos.
Música: Dreaming
op.15 nr.3 - Amy BeachA
pianista Evgenia Nekrasova interpreta a
música “Dreaming op. 15 nr. 3” da
compositora americana Amy Beach (1867 -
1944). Em sua obra, ela nos convida a
mergulhar em nós mesmos e descobrir as
belezas escondidas na harmonia dos sons.
CONFIRA NOSSA
PROGRAMAÇÃO:
Clique aqui para
acessar as edições anteriores da Newsletter