“Desde sempre e para
sempre, toda mulher tem parentesco com a
primeira estrela brilhante que levou luz ao azul
profundo do céu.”
Délia Steinberg
Guzmán
Em conversas com pessoas a quem o
tempo muito ensinou, é comum nos depararmos com
histórias do tipo: “Naquela época, minha avó
sabia de longe que não estávamos bem”. Ou
ainda: “Minha bisavó
teve todos os seus filhos em casa, com a ajuda
de uma parteira de confiança da família”.
Em tempos em que as nossas
percepções intuitivas são abafadas por inúmeros
estímulos externos, e que as tradições são
substituídas por técnicas e tecnologias
avançadas, de vez em quando é bom pararmos para
resgatar o sentido que estava por trás daquelas
práticas.
A avó que percebia que os netos
estavam com algum problema só de olhar para eles
e a bisavó que deu à luz os seus mais de dez
filhos em casa com a ajuda de uma parteira nos
fazem pensar que na natureza feminina há um
mistério intrínseco ligado à expressão da Vida.
E, aqui, não me refiro apenas à vida física, mas
a essa Vida maior, que se expressa não só em
Energia, mas em Sabedoria, e essencialmente, em
Amor.
É o Amor o grande alquimista que
faz com que, ao olharmos dentro dos olhos de um
ser querido, possamos ver para além de sua íris,
o seu próprio coração. Como naquele dito popular
que diz: “Os olhos são
as janelas da Alma”.
É a Sabedoria que faz com que
tenhamos percepções profundas a partir de uma
observação atenta das Leis da Natureza e que nos
faz encontrar respostas para as necessidades da
vida cotidiana.
O feminino, como um canal de
expressão de Vida, Energia, Amor e Sabedoria,
representa uma força que se expande por meio da
dação, da generosidade e da entrega. Portanto,
além de multiplicar a Vida, pode potencializá-la
através do desenvolvimento dos seus mais
profundos sentimentos, que são sintetizados pela
ideia da Unidade.
E assim, a avó olhava nos olhos
dos netos e os via para além das aparências, a
bisavó dava à luz os seus filhos em um dos
cômodos de sua casa e a parteira ajudava a
trazer ao mundo um ser que já existia durante
toda a gestação. Mas, se pararmos para refletir
um pouco, perceberemos que todos nós – seres
humanos – também somos esse canal de expressão
da Vida.
Todos nós podemos desenvolver uma
sensibilidade que nos leva a ver o outro por
dentro, compreendendo suas necessidades e nos
colocando à disposição para ajudá-los no que for
preciso. Todos nós podemos dar luz às ideias,
aos sonhos, aos anseios de contribuir para a
construção de um mundo, que não seja apenas
Novo, mas que seja também Melhor, pois tudo isso
já existe em nossos corações, esperando que
demos nascimento a eles.
Aline
Nascimento Freitas
Aluna e professora da Nova
Acrópole
Lago Norte/Brasília-DF
Livro: ÂNIMA:
Monólogo - Texto Teatral de Lúcia Helena GalvãoJoana
d’Arc, Hipátia de Alexandria, Marguerite Porete,
Helena Blavatsky, Harriet Tubman e Simone Weil
são o fio condutor de ÂNIMA, texto teatral da
professora e filósofa Lúcia Helena Galvão. No
monólogo, uma tecelã entrelaça os fios que
compõem as sagas dessas mulheres — pensadoras,
idealistas, místicas, heroínas — que deixaram
marcas indeléveis na história. Uma inspiração
que levou ao palco a existência de mulheres que
doaram suas próprias vidas em nome de um ideal.
A peça nasceu a partir da frase que dá início a
esta newsletter.
Vídeo: O
FEMININO NA MITOLOGIA: Reflexões de Lúcia Helena
Galvão sobre Arquétipos FemininosCom
suas reflexões, a professora Lúcia Helena Galvão
mostra como as deusas e heroínas da mitologia
representam aspectos importantes da natureza
feminina, como a criatividade, a intuição e o
cuidado. Ela também discute como a representação
das mulheres na mitologia mudou ao longo do
tempo e como reflete os contextos sociais e
culturais em que os mitos foram criados.
Música: Air
On The G String, J. S. Bach - Anastasiya
PetryshakA
violinista Anastasiya Petryshak junto à
Orquestra Cantelli interpretam a clássica “Air
On The G String” de Johann Sebastian Bach na
Basílica Sant'Ambrogio em Milão.
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