Assembleia de criação do
sindicato nacional dos trabalhadores
“multimídia” é suspensa após mobilização
e decisão judicial
A tentativa de criação de
um sindicato nacional dos chamados
trabalhadores “multimídia” foi suspensa
nesta terça-feira (31/03), durante
assembleia prevista para ocorrer na
Assembleia Legislativa de São Paulo (ALESP).
A medida ocorreu após decisão judicial
no âmbito da ação civil coletiva nº
1.51014/2026.5020063, em tramitação no
Tribunal Regional do Trabalho da 2ª
Região, impetrada pelas Federações dos
Radialistas.
A suspensão também é
resultado da mobilização de
representantes da Federação Nacional dos
Jornalistas (FENAJ) e do Sindicato dos
Jornalistas Profissionais no Estado de
São Paulo (SJSP), que atuaram para
barrar a iniciativa, considerada pelas
entidades uma tentativa de precarizar
profissões já regulamentadas.
“Não vamos aceitar a
criação de um sindicato que, na prática,
fragiliza categorias já organizadas e
regulamentadas. Essa proposta representa
um ataque aos direitos dos trabalhadores
da comunicação e à própria estrutura
sindical construída historicamente”,
afirmou Thiago Tanji, presidente do
Sindicato dos Jornalistas de São Paulo e
segundo vice-presidente da FENAJ.
Defesa das profissões
regulamentadas
A iniciativa de criação
do chamado “Sindicato Nacional do
Multimídia” é vista pela FENAJ como uma
ameaça à organização sindical existente
e aos direitos de categorias já
regulamentadas.
A entidade tem atuado em
articulação com as Federações dos
Radialistas para construir estratégias
conjuntas de enfrentamento à proposta.
As entidades alertam que a criação de um
sindicato com essa abrangência pode
gerar sobreposição de representação e
fragilizar categorias profissionais
historicamente organizadas.
Além da atuação judicial,
a FENAJ também ingressou com
manifestação administrativa junto ao
Ministério do Trabalho, na qual aponta
risco concreto de conflito de base
sindical. No documento, a entidade
sustenta que as atividades descritas
para os chamados profissionais
“multimídia” coincidem diretamente com o
núcleo da atividade jornalística
contemporânea, especialmente na
produção, edição e difusão de conteúdo
em plataformas digitais.
Precarização do trabalho
A FENAJ reforça que o
conceito de “multimídia” não configura
uma profissão específica, mas sim uma
característica do exercício
contemporâneo de diversas atividades,
especialmente no jornalismo — o que, na
prática, abre espaço para a retirada de
direitos.
“O termo ‘multimídia’ não
pode ser usado como pretexto para
desmontar profissões regulamentadas e
retirar direitos históricos dos
trabalhadores da comunicação. O
jornalista já é, por natureza, um
profissional multimídia. O que está em
curso é uma tentativa de precarização do
trabalho”, afirma a presidenta da FENAJ,
Samira de Castro.
A entidade também alerta
que a convocação da assembleia para
criação do suposto sindicato nacional
reúne, de forma indistinta, diferentes
perfis de atuação — incluindo
trabalhadores, prestadores de serviço e
até agentes econômicos — o que contraria
a lógica do sistema sindical brasileiro
e dificulta a definição objetiva de uma
categoria profissional.
A FENAJ tem denunciado
que iniciativas como a chamada “Lei do
Multimídia” caminham nesse mesmo
sentido, ao diluir funções, flexibilizar
direitos e enfraquecer a regulamentação
profissional, atingindo diretamente
jornalistas e outras categorias da
comunicação.
Continuidade da
mobilização
A suspensão da assembleia
é considerada uma vitória importante das
entidades, ainda que provisória. A FENAJ
reforça que seguirá acompanhando o
andamento da ação e atuando de forma
articulada com outras organizações para
impedir a criação do sindicato.
A entidade reafirma seu
compromisso com a defesa do jornalismo
profissional, da regulamentação e de
condições dignas de trabalho, destacando
que a unidade entre sindicatos e
federações será fundamental para
enfrentar iniciativas que ameaçam
direitos históricos dos trabalhadores da
comunicação.

FENAJ e SJSP atuaram na
ALESP para barrar a criação do chamado
“sindicato multimídia”.