Theresa Catharina de Góes Campos

 

 

 

Nova Acrópole: A Terra  chora


 
De: Nova Acrópole <propaganda@acropolebrasil.com.br>
 
Date: seg., 20 de abr. de 2026
Subject: #204 A Terra chora


 

  

  

“No Universo está a resposta para o grande enigma que é o ser humano. Temos, simplesmente, que aprender a lê-lo.”

Jorge Angel Livraga

 

 

Há uma pergunta que nunca consegui deixar de me fazer: o que a Terra sente quando se queimam suas árvores? Se o planeta pudesse se expressar, como nos faria chegar a sua dor? Por mais ridículo que pareça, se os seres humanos variam de um lugar a outro em suas linguagens e formas de expressão, por que a Terra não deveria ter algum sistema próprio que pudesse ser compreendido pelos mais intuitivos e com mais discernimento?

Se partirmos da base de que apenas os seres humanos estão conscientemente vivos, as perguntas anteriores não têm sentido. A Terra não seria mais que uma bem acondicionada rocha girando em sua órbita ao redor do Sol. Mas não posso evitar a lembrança de tantos filósofos antigos que souberam apresentar, com propriedade e clareza, seus pensamentos sobre a vida universal, que diz respeito a tudo que existe, embora se apresente sob as mais variadas formas. De acordo com isso, a Terra vive, tem seus ciclos de saúde e enfermidade, de tranquilidade e insegurança… Em sua própria escala, ela se alegra e sofre como nós.

Não há provas disso? O que importa? Durante séculos, não tivemos provas das verdades científicas hoje aceitas e apoiadas em complexos cálculos. Tampouco faltaram aqueles que deixaram suas vidas tentando demonstrar verdades que intuíram, embora, à época, não tivessem meios precisos para fundamentá-las.

Seja como for, se nós, em nossa pequenez e, por que não, em nossa ignorância, nos sentimos impressionados pelos choques de cometas interestelares e pelos incêndios monumentais, como pensar que os mais diretamente afetados estão fora do alcance desta projeção vital?

A Terra chora…

Os homens se reúnem de tempos em tempos para estudar o estado da Terra. Realizam-se encontros mundiais aos quais comparecem cientistas, especialistas em meio ambiente, presidentes e enviados especiais de quase todas as nações, jornalistas, interessados ​​e curiosos. Todos concordam com a deterioração cada vez mais evidente que a Terra apresenta, mas é quase impossível concordarem em soluções práticas e imediatas. Como sempre acontece nestes casos, os discursos são mais importantes do que os fatos e gasta-se muito mais dinheiro em viagens, hotéis, recepções e impressos do que em medidas concretas diante de situações tão dramáticas.

A Terra está doente; o clima, enlouquecido; aumentam as secas e inundações, assim como a fome e a poluição. Plantas e espécies animais desaparecem e a aparência do nosso planeta envelhece diariamente de maneira brusca e incontrolável.

Mas os interesses criados são superiores a esses efeitos malignos que já não passam despercebidos para ninguém. As lutas políticas e os dividendos econômicos das indústrias têm mais peso do que a saúde da Terra e de todos os seus habitantes. Aqueles que assim atuam, relegando as soluções para um amanhã incerto, fazem-nos recordar a expressão “depois de mim, o dilúvio”. O que equivale a dizer que pouco importa o que acontecerá aos nossos filhos e netos.

O que nunca se leva em consideração é a sabedoria ancestral dos povos antigos, que proclamavam que a Terra é um ser vivo, inteligente, mais evoluído do que os homens, que nos suporta em sua superfície, e que tem um destino próprio que nada nem ninguém pode alterar. É fácil agir impunemente diante de um planeta que parece não reivindicar nada, é difícil reagir a um Ser inteligente que de repente pode nos cobrar por tantos desastres cometidos.

Hoje a Terra chora, e sofre pelos homens que a ignoram e a maltratam. Ela expressa seu choro com centenas de sintomas que deveriam ser mais do que suficientes para chamar nossa atenção.

Mas o orgulho fecha nossos olhos e nos cega com a ilusão de que o que importa é o que nos acontece. 

Ainda teremos tempo de aprender a ver e saber fazer? Se a Vida é Una, é Una para todos. Virão mais adiante as tão apreciadas demonstrações. Hoje nos resta o espanto, a dor, a impotência, a maravilha de viver neste mundo infinito do qual mal conseguimos compreender um grãozinho de poeira e ao qual, pelo visto, pouco podemos ajudar, por mais que nossos desejos de alento voem muito mais longe do que nossas mentes. 

 

Artigo escrito por Délia Steinberg Guzmán

Ex-presidente da Organização Internacional Nova Acrópole

Vídeo: 7 Leis da Natureza - Conselhos da Mãe Terra. Por Delia Steinberg GuzmánConferência da professora Delia Steinberg Guzmán no Fórum de Filosofia, organizado pela Nova Acrópole de Espanha na comemoração do Dia Internacional da Mãe Terra, em 2023. 

Livro: Diálogos Regenerativos para Futuros Sustentáveis: Integrando ciência, artes, espiritualidade e conhecimento ancestral para o bem-estar planetário - Fábio Rubio Scarano: Este livro trata da sustentabilidade em seu sentido mais amplo, com profundidade e didática. Fabio Scarano convida outras formas de interpretação da realidade para esta conversa: a arte, os conhecimentos ancestrais, a espiritualidade e outras cosmovisões não modernas. 

Música: Suíte Os Planetas - Júpiter, o Mensageiro da Alegria - Gustav Holst | Orquestra Jovem Musicarium: neste vídeo apresentamos um trecho da suíte “Os Planetas” composta por Gustav Holst entre 1914 e 1916, constituída por 7 movimentos, dos quais cada um corresponde a um planeta do sistema solar, excetuando-se a própria Terra e Plutão. A obra combina mitologia romana e astronomia, expressando o caráter particular de cada astro, através de movimentos com andamentos, melodia e instrumentação contrastantes.

 

 

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