Theresa Catharina de Góes Campos

  From: LMAIKOL lmaikol@uol.com.br
Date: 2009/9/21
Subject: Reflexões Homiléticas - Outubro 2009


Reflexões Homiléticas para outubro de 2009

VIGÉSIMO SÉTIMO DOMINGO COMUM (04.10.09)

Mc 10, 2-16

“O que Deus uniu, o homem não deve separar”

Continuando a sua caminhada rumo a Jerusalém, onde o poder central
religioso-político vai condená-lo à morte no intuito de acabar não
somente com a pessoa d’Ele, mas com o seu ensinamento, Jesus, no texto
de hoje, entra primeiro em controvérsia com os fariseus, os guardiães
da prática fiel da Lei. Estes, que gozavam de grande prestígio diante
da população mais simples, se outorgavam o direito de serem os únicos
intérpretes autênticos da vontade de Deus. Por isso, entram em
conflito com Jesus, não na busca de conhecer melhor a vontade do Pai,
mas, como ressalta o texto “para tentá-lo” (v. 2). O campo de batalha
escolhido era o debate sobre o divórcio. O texto de referência para
eles era Dt 24,1-4, onde não se trata da legitimidade do divórcio, mas
dos critérios para que possa acontecer.

O evangelho de Mateus, no Capítulo 19, deixa mais claro do que Marcos
o sentido do debate (Mt 19, 1-9). O pano de fundo eram os critérios
necessários para que um homem pudesse se divorciar de sua mulher (nem
se cogitava na época que a mulher pudesse se divorciar do marido, pois
a mulher era considerada “um bem” que pertencia ao homem!). No tempo
de Jesus havia duas tendências, simbolizadas pelas escolas rabínicas
dos grandes fariseus Hillel e Shammai. Uma escola, mais laxista
(Hillel), ensinava que se podia divorciar a mulher por qualquer
motivo, mesmo sendo dos mais banais - por ter queimado a comida era um
exemplo. A escola mais rigorosa - do Shammai - só permitia o divórcio
por motivos muito sérios. Por isso, em Mateus a pergunta se define
melhor: “é permitido divorciar a mulher por qualquer motivo que seja?”
(Mt 19, 4).

Em ambos os Evangelhos, Jesus se recusa a entrar no debate casuístico
que cercava a questão, e se limitava a reafirmar o projeto do Pai para
o casamento: “Portanto, o que Deus uniu, o homem não deve separar”.
Aqui Jesus reafirma com toda firmeza o ideal do casamento cristão -
uma união permanente baseada no amor e fortalecida pela graça do
sacramento. Seria inútil buscar neste trecho uma teologia mais
desenvolvida do casamento, muito menos orientações pastorais para os
problemas práticos de casamentos malsucedidos, pois isso não foi a
intenção do autor. Marcos simplesmente reafirma o princípio de que “o
que Deus uniu, o homem não deve separar”. Deixa em aberto a questão de
quando é que Deus realmente uniu o casal! Será que, só porque passaram
por uma cerimônia validamente celebrada, um casal é necessariamente
unido por Deus? Os problemas reais são muito mais complexos,
angustiantes e difíceis de serem solucionados.

O trecho continua com a questão das crianças. A questão
aqui não é a criança como símbolo da inocência, mas de dependência. As
crianças e os que se assemelham com eles vivem esta situação de
dependência, de “sem-poder”. Quem quer entrar no Reino de Deus terá
que despojar-se de todo o poder dominador, tornando-se como criança.

Negando aceitar a situação em que a mulher era simples
objeto de posse do homem e assim passível de ser divorciada, e
propondo o fraco e dependente como modelo, numa sociedade que
valorizava o prepotente, Jesus mostra que os valores do Reino de Deus
estão na contra-mão dos valores da sociedade do seu tempo - e de hoje.
Propõe uma igualdade de dignidade entre homem e mulher, uma fidelidade
e compromisso permanentes, e a busca de uma vida de serviço e não de
dominação! Realmente, uma proposta no contra-fluxo da sociedade
pós-moderna que nega o permanente, perpetua o machismo e admira o
poderoso e dominador! O texto de hoje nos convida para que entremos
“com Jesus, na contramão” e para que criemos uma sociedade baseada em
outros valores do que os hoje em vigor, às vezes até no seio das
próprias Igrejas. Continua muito atual o dilema enfrentado pelos
autores bíblicos em livros como Eclesiástico e Sabedoria - como ser
fiel aos valores da fé num mundo profundamente materialista e egoísta.
Não será possível sem que aprofundemos a nossa caminhada no
discipulado de Jesus, alimentando-nos com a Palavra de Deus, em
diálogo com esta e com a sociedade que nos cerca.

VIGÉSIMO OITAVO DOMINGO COMUM (11.10.09)

Mc 10, 17-30

“Como é difícil entrar no Reino de Deus”

O nosso texto inicia-se com a frase “Quando Jesus saiu de
novo a caminhar”. Mais uma vez, estamos na caminhada com Jesus, na
caminhada que é uma aprendizagem para o discipulado, uma caminhada que
o leva cada vez mais perto a Jerusalém, lugar da crise definitiva da
sua vida. Ao longo desta caminhada Jesus luta com a incompreensão dos
seus discípulos, até dos mais chegados a Ele, pois a mentalidade deles
era formada pela ideologia dominante, e assim tinham a maior
dificuldade em apreciar a viravolta de valores que Jesus e a sua
mensagem significavam. Nos outros domingos, já vimos essa tensão no
trato das questões do poder, do divórcio, das crianças. No nosso texto
hoje, Jesus põe em cheque o ensinamento comum sobre a riqueza e a
pobreza.

A cena é muito conhecida - um homem pede orientação sobre como entrar
na vida eterna. Num primeiro momento, Jesus coloca diante dele as
exigências conhecidas por todo judeu piedoso e ensinadas pelas escolas
rabínicas - o cumprir dos mandamentos. Mas o homem - sem dúvida um
praticante piedoso da Lei - sente que isso não é o suficiente, antes,
é o mínimo. E assim Jesus põe diante ele as exigências do Reino - o
seguimento d’Ele, o despojamento dos bens e a partilha e
solidariedade. Aqui, o homem é incapaz de aceitar. Estava amarrado aos
seus bens, pois era muito rico (v. 22). Fez a sua opção - optou por
uma vida “regular” que não exigisse partilha nem despojamento, e como
conseqência foi embora “muito abatido”- pois tinha colocado bens
secundários acima do bem maior.

Mas o centro do relato está no debate entre Jesus e os seus
discípulos. O Mestre afirma que “é mais fácil passar um camelo pelo
buraco de uma agulha, do que um rico entrar no Reino de Deus!” (v.
25). Muitas vezes gastamos tanta energia em debater o que significa “o
buraco da agulha” (quase sempre tentando diminuir o seu impacto!), e
deixamos de lado o aspecto mais importante - a reação dos discípulos!
Eles ficam “muito espantados” quando ouviram isso e se perguntaram:
“então quem pode ser salvo?” Por que ficaram espantados? O que houve
de espantoso na colocação de Jesus? Aqui está o âmago da questão.

O espanto dos discípulos - também todos judeus praticantes e piedosos
- era causado pelo fato que, na ideologia religiosa vigente, a riqueza
era considerado sinal da bênção de Deus, e a pobreza como sinal da
maldição (uma idéia presente em certos grupos cristãos hoje e que às
vezes infiltra algumas pregações sobre o dízimo, na própria Igreja
Católica). Para eles, quem não iria se salvar era o pobre, pois o rico
era abençoado. Aqui é bom lembrar que se trata de “entrar no Reino de
Deus”, que não é sinônimo com a salvação eterna. A salvação depende da
gratuidade e misericórdia de Deus, e diante de tal mistério só cabe à
gente se calar. Mas o Reino de Deus deve ser uma experiência já
existente entre nós, mesmo que não em plenitude, e que significa
experimentar na vida os valores do Reino. O rico dificilmente entra
nesta dinâmica porque normalmente é auto-suficiente, atrelado a um
sistema classista e injusto, e com grande dificuldade tanto de
repartir como de sentir a sua dependência de Deus.

A proposta de Jesus desafia as ideologias que veem a riqueza como
sinal da bênção de Deus. A proposta d’Ele não é a riqueza, mas a
partilha, não é a acumulação, mas a solidariedade e a justiça, para
que todos possam ter o suficiente. O texto deixa claro que quem quer
viver esta proposta vai sofrer, pois o mundo não vai aceitá-la. Quem
segue Jesus na prática da solidariedade, encontra uma felicidade mais
duradoura, mas com perseguição, pois já vive a certeza da plenitude
do Reino que virá (v.29-31).


FESTA DA NOSSA SENHORA APARECIDA

Jo 2, 1-12

“Façam tudo o que ele lhes disser”

A primeira parte do Quarto Evangelho é comumente chamada “O Livro dos
Sinais”, pois o evangelista relata uma série de sete sinais que, passo
por passo, revelam quem é Jesus e qual é a sua missão (embora algumas
bíblias traduzem o termo grego por “milagre”, a tradução mais acertada
é: “Sinal”). O primeiro desses sinais aconteceu no contexto das bodas
de Caná, o nosso texto de hoje. Como quase todo o Evangelho de João, o
relato está carregado de simbolismo, onde pessoas, números e eventos
funcionam simbolicamente, para nos levar além da superfície das
coisas, numa caminhada de descoberta sobre a pessoa de Jesus.

Um dos temas centrais do quarto evangelho é o da “hora” de Jesus. A
“hora” não se refere à cronometria, mas a hora de glorificação de
Jesus, por sua morte e ressurreição. Em resposta ao pedido feito por
Maria (note que João nunca se refere a ela pelo nome, mas pelo título
“mulher”), usando de uma maneira um tanto estranha este termo para a
sua mãe, João quer indicar que Jesus rejeita uma esfera meramente
humana de ação para Maria, para reservar para ela um papel muito mais
rico, ou seja, o da mãe dos seus discípulos. Maria somente vai
aparecer mais uma vez neste evangelho - ao pé da cruz, onde ela e o
Discípulo Amado assumem um relacionamento de Filho e Mãe. Devemos
lembrar que o Discípulo Amado simboliza a comunidade dos discípulos do
Senhor.

Não devemos reduzir a ação da Maria no texto à de uma incomparável
intercessora. Embora seja comum esta interpretação na devoção popular,
não se sustenta do ponto de vista exegético. É melhor ver Maria aqui
como discípula exemplar, pois embora a resposta de Jesus indique um
distanciamento entre a sua expectativa e a visão d’Ele, ela continua
com confiança n’Ele e leva outros a acreditar n’Ele.

O simbolismo da água tornada vinho é também importante. Não era
qualquer água - era a água da purificação dos judeus. Com essa
história, João quer mostrar que doravante os ritos judaicos de
purificação estão superados, pois a verdadeira purificação vem através
de Jesus. Podemos entender isso como a mudança de uma prática
religiosa baseada no medo do pecado, uma prática que excluía muita
gente, para uma nova relação entre Deus e a humanidade, a partir de
Jesus. Assim, em Caná Jesus começa a substituir as práticas do
judaísmo do Templo, o que vai continuar ao longo do Evangelho de João.

A quantia do vinho chama a atenção - mais de 600 litros! O
vinho em abundância era símbolo dos tempos messiânicos, e na tradição
rabínica, a chegada do Messias seria marcada por uma colheita
abundante de uvas. Assim João quer dizer que a expectativa messiânica
se realiza em Jesus. E as talhas transbordantes simbolizam a graças
abundante que Jesus traz.

A figura do mestre-sala é também simbólica, bem como a dos serventes.
Aquele, que devia saber a origem do vinho da festa, não sabia,
enquanto estes sim. Assim, o mestre-sala representa os chefes do
Templo que não sabiam a origem de Jesus enquanto os servos representam
os discípulos que acreditaram n’Ele.

Fazendo comparação entre o vinho antigo e o novo, João
quer reconhecer que a Antiga Aliança era boa, mas a Nova a superou. Os
ritos e práticas judaicos, ligados à purificação e ao sacrifício, não
têm mais sentido, pois uma nova era de relacionamento entre a
humanidade e Deus começou em Jesus.

O ponto culminante do relato está no v. 11: “Foi em Caná
que Jesus começou os seus sinais, e os seus discípulo acreditaram
n’Ele”. E a fé deles não é intelectual ou teórica, mas o seguimento
concreto do Mestre, na formação de novos relacionamentos de amor.
Passo por passo, o autor vai revelando Jesus através de sinais para
que nós, os leitores, possamos “acreditar que Jesus é o Messias, o
Filho de Deus. E para que, acreditando, tenhamos a vida em seu nome”
(Jo 20, 31).


VIGÉSIMO NONO DOMINGO COMUM (18.10.09)

Mc 10, 35-45

“Quem de vocês quiser ser o primeiro, deverá tornar-se o servo de todos”

No esquema do Evangelho de Marcos, o texto de hoje situa-se quase no
fim da caminhada de Jesus com os seus discípulos para Jerusalém, o
lugar do desfecho de toda a sua missão. Pela terceira vez, Ele tem
dado aos seus mais íntimos colaboradores o anúncio sobre a sua paixão
e morte: “Eis que estamos subindo para Jerusalém, e o Filho do Homem
vai ser entregue aos chefes dos sacerdotes e aos doutores da Lei. Eles
o condenarão à morte e o entregarão aos pagãos. Vão caçoar d’Ele,
cuspir n’Ele, vão torturá-Lo e matá-Lo”. De novo, a colocação muito
clara sobre o que significa ser o Messias de Deus não surte efeito -
os discípulos, cegados pela ideologia dominante, são incapazes de
entender o sentido da vida de Jesus, e por conseguinte, o sentido de
serem discípulos d’Ele. Como Pedro, depois do primeiro anúncio, e
todos os Doze, depois do segundo, João e Tiago conseguem resistir ao
ensinamento de Jesus numa tentativa de impor a sua própria agenda!

Apesar de ouvirem que Jesus veio para dar a sua vida em serviço de
todos, os irmãos pedem os primeiros lugares quando Jesus entrasse na
sua glória. O desejo de dominar estava muito enraizado neles. É tão
gritante o descompasso entre o ensinamento de Jesus e os desejos dos
dois irmãos que Mateus, relatando a mesma história, suaviza o texto de
Marcos, fazendo com que a mãe deles fizesse o pedido! (Mt 10, 20). A
queixa de Deus no Antigo Testamento de que o seu povo era um povo de
“cabeça dura” se atualiza nos Doze!

Mas, não podemos pensar que era só os dois filhos de Zebedeu que
sentiram o gosto pela dominação. É interessante notar a reação dos
outros dez diante do pedido feito: “Quando os outros dez discípulos
ouviram isso, começaram a ficar com raiva de Tiago e João” (v. 41).
Por que ficaram com raiva? Não porque achavam sem sentido o pedido dos
dois, mas porque, no fundo, cada um deles queria ter o lugar de honra
e poder! O vírus de dominação é mais do que contagioso!

Mais uma vez, Jesus demonstra paciência histórica com os seus
seguidores. Contrasta o sistema de organização da sociedade com aquele
que queria para a comunidade dos seus discípulos: “entre vocês não
deve ser assim: quem de vocês quiser ser grande, deve tornar-se o
servo de vocês, e quem de vocês quiser ser o primeiro, deverá
tornar-se o servo de todos” (vv. 43-44). E deixa bem claro o motivo -
não por causa de uma humildade qualquer, mas porque Ele nos deu o
exemplo: “porque o Filho do Homem não veio para ser servido. Ele veio
para servir e para dar a sua vida como resgate em favor de muitos” (v.
45). Ser discípulo de Jesus é ter o mesmo ideal, a mesma prática do
que Ele!

O texto torna-se muito atual para os dias de hoje.
Infelizmente, o contraste feito por Jesus entre os seus seguidores e o
sistema da sociedade secular nem sempre se verifica. Existe, talvez
nos últimos anos de forma mais acentuada, uma busca de status e do
poder no seio das igrejas, especialmente entre o clero mais jovem.
Mas, ninguém pode se achar imune diante dessa tentação, pois está bem
enraizada dentro de todos nós. Somente uma mística bem cultivada do
seguimento de Jesus, fundamentada na Palavra da Escritura, poderá nos
ajudar para que realmente construamos uma Igreja onde se demonstra que “entre vocês não deve ser assim”.


TRIGÉSIMO DOMINGO COMUM (25.10.09)

Mc 10, 46-52

“E seguia Jesus pelo caminho”

Estamos no fim da caminhada central de Jesus, desde Cesaréia de Felipe
até a sua morte e ressurreição em Jerusalém. No texto de hoje, Marcos
encerra o bloco todo da caminhada com o último milagre que ele relata
de Jesus - a cura do cego Bartimeu.

O texto começa com um senso de urgência - chegaram a Jericó e logo
saíram. Parece que têm pressa para caminhar até Jerusalém. E lá está o
cego Bartimeu. Onde? Sentado à beira do caminho! Enquanto Jesus está
“a caminho” com os seus discípulos, o cego está à beira do caminho!
Simboliza todos os que não conseguem caminhar no discipulado, mas
estão parados, à beira do seguimento de Jesus.

Mas, esse texto está bem carregado de sentido. Logo que
Bartimeu ouve que é Jesus que passa, ele grita fortemente! “Filho de
Davi, tem piedade de mim!” É de novo um dos temas centrais da Bíblia -
o grito do pobre e sofrido! Desde o grito do sangue de Abel, passando
pelo grito do Êxodo, de Jó, dos pobres nos Salmos, de Bartimeu, de
Jesus na Cruz, dos martirizados do Apocalipse, o tema do grito do
sofrido perpassa toda a Escritura, com a garantia de que Deus ouve
esse grito. Mas, a reação dos transeuntes é típica - mandam que
Bartimeu se cale! O poder dominante sempre quer abafar o grito do
excluído! E isso não mudou até os dias de hoje! Até nas Igrejas há
quem não queira ouvir o grito, e que faz tudo para abafar qualquer
iniciativa popular. Mas, Deus ouve!

Com um fino toque de ironia, o texto mostra como, por causa da atitude
de Jesus, os mesmos que o mandaram calar agora têm que convidá-lo para
falar com Jesus. Mas, para isso, Bartimeu tem que lançar fora o manto
- a única coisa que ele possuía, a sua única segurança. Como os
primeiros discípulos no lago (Mc 1, 18.20), ele aprende que não é
possível seguir Jesus sem deixar algo, sem arriscar a segurança humana
para experimentar a mão de Deus.

Mas, Jesus não parte imediatamente para a ação. Ele respeita a
liberdade do cego e pergunta “o que quer que faça por você?” (v. 51).
Pois, Jesus não obriga ninguém a se libertar - há quem prefira ficar
sentado à beira do caminho, na sua comodidade e não opte pela
libertação. Mas, Bartimeu quer ver de novo - diferente do cego de Jo
9, ele via anteriormente e tinha perdido a visão. Aqui ele simboliza a
comunidade marcana pelo ano 70, que tinha perdido a clareza da fé, e
que precisava o toque de Jesus para que voltasse a ver claramente.

Curado, Bartimeu recebe licença para ir, para seguir a sua vida. Mas,
ele faz uma outra opção: “no mesmo instante o cego começou a ver de
novo e seguia Jesus pelo caminho” (v. 52). Ele usava para Jesus um
título não muito adequado “filho de Davi”, pois em Mc 12, 35-37, Jesus
fez muitas restrições a este título messiânico, mas ele tem a prática
certa - segue Jesus pelo caminho. Aqui Marcos faz contraste com a
figura de Pedro, que tinha o título certo “Tu és o Messias” (Mc 8,
29), mas a prática errada! Não quis que Jesus caminhasse para a morte!
Assim, em Marcos, o modelo de discípulo não é Pedro, mas Bartimeu!
Pois, mais importante do que os títulos e expressões teológicas, sem
negar a sua importância relativa, é a prática do seguimento de Jesus!
Um alerta para todos nós, para que a nossa prática seja coerente com a
nossa fé, no seguimento de Jesus, em favor do Reino de Deus.

Pe. Tomaz Hughes, SVD

E-mail: thughes@netpar.com.br

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