Theresa Catharina de Góes Campos

  RESUMO TRADUZIDO DE LIVRO SOBRE DEMÊNCIA

Tereza Lúcia Halliday
Date: 2010/1/26
Subject: RESUMO DE LIVRO IMPORTANTE


Amigos:

Para os que têm pais idosos, os maiores de 60 e os que estão a caminho, a leitura do livro resumido no anexo é muito útil. Fala dos estados de declínio cognitivo, entre os quais o Mal de Alzheimer, que não deve assombrar tanto, nem ser generalizado.

E dá dicas práticas para evitar ou retardar o processo de perda de acuidade de memória.

Os que lêem fluentemente em inglês podem comprá-lo na Amazon.com
Aí vai um resumo em português, traduzido por mim, informalmente, a princípio, para meus irmãos e cunhadas.

Agora, incluo carinhosamente vocês entre os destinatários desse texto.
Um abraço, Tereza.


Tereza Lúcia Halliday, Ph.D.
Artesã de Textos


 

TRECHOS DO LIVRO:

 

ALÉM DO MAL DE ALZHEIMER

Como evitar a moderna epidemia de demência (*)

 

Traduzidos do original em inglês:

BEYOND ALZHEIMER´S

How to avoid the modern epidemics of dementia(**)

Autor: Scott D. Mendelson, MD, Ph.D.

2009 N.York, M.Evans, 263 p.

 

OS QUE LÊEM INGLÊS FLUENTEMENTE PODEM ENCOMENDAR O ORIGINAL NA AMAZON.COM.

 

ESTE É UM TOSCO RESUMO E TRADUÇÃO INFORMAL, RESSALTANDO TRECHOS SUBLINHADOS POR MIM DURANTE A LEITURA.Tereza.

  

(*)Demência -  “deterioração progressiva e irreversível das funções intelectuais resultante de lesões cerebrais” (Dicionário Aurélio).

 

(**) Definição de demência no cap. 3 do livro:

“A definição mais amplamente aceita de demência no manual da American Psychiatric Association “Diagnostic and Statistical Manual of Mental Disorders”, 4ª. Edição (DSM-IV):

 

   - “um estado de perda de memória, acompanhada de diminuição da capacidade de decisão ou de mudanças na personalidade”.

 

 

DA INTRODUÇÃO - EPIDEMIA DE DEMÊNCIA

 

p.1 - A incidência do Mal de Alzheimer e outras formas de demência está crescendo mundialmente e muitos peritos começam a advertir que uma epidemia se avizinha.

 

Demência é um declínio na capacidade de pensar, lembrar e usar a mente para desempenhar atividades quotidianas normais. Estima-se que ela afeta cerca de 25 milhões de pessoas no mundo.

 

Estamos apenas começando a entender o tremendo fardo emocional carregado por cônjuges e filhos que tomam conta daqueles atacados de demência.

 

Há várias razões para uma epidemia de demência. A mais óbvia é que nossa população está ficando mais velha. Cerca de 96 por cento dos casos de demência ocorrem em pessoas acima de 65 anos. (...) Embora o fator demográfico seja importante nesse aumento de casos, já há evidência de que, muitas causas da demência estão ligadas a mudanças insalubres em nossos estilos de vida.

 

(...) A forma clássica do que chamamos O Mal de Alzheimer – ou demência de Alzheimer -  é o resultado de anomalias genéticas que causam uma perda precoce, rápida e progressiva da função cognitiva. Se, por um lado, os casos modernos de demência “podem” ser resultantes de anormalidades genéticas, na maioria dos casos, genes anormais , na maioria dos casos, não são necessários nem suficientes para produzir a degeneração de tecido cerebral que resulta nas formas de demência comumente notadas hoje em dia.

 

O dano subjacente à maioria dos casos atuais de demência é, amplamente, o resultado de anormalidades que introduzimos na química do nosso cérebro como resultado de uma dieta insalubre, más escolhas de estilo de vida, estresse e estar expostos a fatores ambientais contaminadores.

 

Algumas perdas de função cognitiva que ocorrem com a idade são inevitáveis. Algumas pessoas são geneticamente predispostas a um tipo ou outro de demência. (...) Contudo, há provas bem fundadas de que, ao melhorar nossa dieta, reduzir o estress, exercitar nossas mentes e corpos, manter-se socialmente ativo e encontrar paz emocional, a maioria de nós pode evitar ou, pelo menos, retardar o desenvolvimento de demência.

 

DO CAP. 2 – O QUE É ENVELHECER?

 

(…)  É comum atribuir uma longa vida a “bons genes”, e a hereditariedade desempenha uma parte na longevidade. Todavia, estudos com gêmeos idênticos mostraram que os genes representam apenas 25% dos fatores determinantes de quanto tempo vamos viver. 

 

Segundo pesquisas, a maioria de nós tem mais ou menos a mesma chance de  chegar aos 80 anos, independentemente de quanto anos nossos pais ou avós viveram.  O que é, então, que muda em nossos corpos ao envelhecermos, que nossos órgãos começam a falhar e acabamos morrendo? Algo necessário à vida em nosso corpo começa a se esgotar ou alguma coisa tóxica começa a se acumular?  Qual a capacidade de perdão do nosso corpo quando o privamos dos nutrientes necessários ou abusamos dele com dietas destruidoras da saúde e cometemos abuso no uso de substâncias?

(...)

O maior responsável é a oxidação que nada mais é do que o equivalente biológico da ferrugem. Outros contribuintes são gordura mal acompanhada e açúcar no corpo. O acúmulo de gordura em lugares da célula onde não é para ela estar lá perturba o processo na produção de energia ...

 

Mudanças no cérebro e na função mental no envelhecimento normal

 

Perdas em certos aspectos da função mental acontecem com a idade avançada. Não obstante, muitos indivíduos mantêm boa função mental até serem octogenários ou nonagenários. O consenso entre os médicos é que decréscimos incapacitantes na função mental não são normais e que, “deixar pra lá” uma séria perda de memória e confusão mental como sendo apenas decorrência da idade, não é correto.

 

(...) O efeito mais comum e predizível do envelhecimento normal sobre o desempenho mental é uma perda de velocidade do processamento cognitivo. Os mais velhos não pensam tão rápido como os mais jovens. Seu tempo de reação é mais lento, eles levam mais tempo para resolver problemas e aprender coisas novas. A capacidade de prestar atenção é conservada no envelhecimento. O idoso normal pode focalizar numa tarefa e completá-la tão bem quanto gente mais moça. O que se torna mais difícil com a idade é a capacidade de dividir a atenção, ou seja, fazer múltiplas coisas ao mesmo tempo fica mais difícil com a idade. Todavia, até certo ponto, isto pode ser também uma questão de falta de velocidade no processo cognitivo, necessária para administrar múltiplas fontes de informação.

 

(...) Os mais velhos também tendem a perder o que chamamos flexibilidade cognitiva. (...) Na vida do dia a dia a falta de flexibilidade cognitiva pode ser notada na dificuldade em se adaptar a novas formas de fazer as coisas, novas ferramentas ou novos ambientes. (...) Claro que podemos argumentar que, ficar com o já sabido e conhecido tem seus benefícios e pode até trazer alguma vantagem biológica.

 

(...) No envelhecimento normal, o pensamento abstrato permanece razoavelmente intacto.  P.ex., saber explicar o significado de um provérbio. Todavia, os que perderam a capacidade de pensar abstratamente, tenderão a explicar o provérbio por seu conteúdo literal. P.ex. “Quem tem telhado de vidro não atira pedras”. A pessoa normal de qualquer idade, vai traduzir que não se deve criticar os outros, quando se tem os próprios defeitos. Os que têm a função cognitiva diminuída dirão que não se deve jogar pedras  porque o telhado de vidro quebra.

 

(...) Muito do processo da memória humana continua um mistério.  Mas o que está claro é que a capacidade de lembrar o que ocorreu recentemente tende a diminuir com a idade. (p.11)

 

 [N. da T.: Segue-se uma explicação sobre os tipos de memória – memória declarativa (semântica e episódica)  e memória processual. (p.13)

 

A memória semântica permanece bem intacta no envelhecimento normal. O vocabulário geralmente se mantém rico (com as variações devido ao nível de educação).

 

Na memória episódica, há uma diferença entre reconhecimento e recordação.

Idosos normais podem dirigir o carro até o supermercado e esquecer onde estacionaram – incapacidade de recordar. Se, ao acharem o carro, lembram-se de ter estacionado ali, isto é reconhecimento. Se não se lembram de ter decidido estacionar ali, então falharam na recordação e no reconhecimento – isto é um sinal de declínio significativo.

 

Outro tipo de memória episódica que pode ser afetada pelo envelhecimento é a “working memory” (memória funcional) – a capacidade de lembrar-se do número de telefone que acabou de consultar na lista sendo capaz de discá-lo em seguida. Esse tipo de memória permanece razoavelmente intacta com a idade.

 

Um dos tipos de memória mais vulneráveis à idade é a “memória secundária” – a capacidade de lembrar informação recentemente aprendida depois que a atenção foi dirigida para outras tarefas. (p.14). Dirigir até o supermercado e ter de prestar atenção para estacionar pode fazer esquecer o que continha a lista de compras.

 

(...) Embora os idosos tenham mais dificuldade em aprender coisas novas e retê-las na memória quando distraídos por outras coisas, uma vez que eles tenham guardado algo na memória, os de velhice normal podem relembrar quase tão bem quanto os jovens.  Nos octogenários e nonagenários, há uma tendência de perda acelerada da capacidade de guardar e recuperar lembranças episódicas. (p15)

 

Um aspecto interessante e muito comum de demência é lembrar acontecimentos da infância mas não ser capaz de lembrar acontecimentos do dia anterior.

 

(...) Chegará o tempo, mais adiante, na progressão da demência,em que a recuperação do que está gravado também fica prejudicada então acontecem coisas tristes e perturbadoras como esquecer o nome do cônjuge ou dos filhos.

 

O tempo  de mudança da função cognitiva – (p.15).

 

Um dos mas famosos e citados estudos sobre os efeitos do envelhecimento. Na função cognitiva é o Estudo Longitudinal de Seattle, conduzido pelo dr. K.Warner Schaie.  Nesse estudo, mais de cinco mil pessoas foram acompanhadas por períodos de até 35 anos e testadas a cada sete anos para descobrir mudanças relacionadas com a idade, na capacidade de usar a mente.

 

As áreas de função cognitiva estudadas incluíram: raciocínio, orientação espacial, velocidade perceptual, habilidade numérica, capacidade verbal e memória verbal.

 

Uma das maiores descobertas foi que na maioria das pessoas houve pouca ou nenhuma perda de função cognitiva antes dos 60 anos. Na verdade entre os 25 e os 60 muito mostraram melhoras  em algumas formas de usar a mente. A única função que não melhorou nesses anos foi a capacidade de lidar com números.

 

A única perda impressionante foi o declínio inexorável na velocidade do processamento perceptual, que pode acontecer tão cedo como a casa dos 30 anos. (...) Lá pelos 67 anos alcança um nível máximo de suas funções cognitivas e pode ou não entrar nos estágios iniciais de declínio. Isto é mais evidente no princípio da década dos 70 anos e bastante claro na década dos oitenta. Contudo, segundo Schaie, esse declínio de função pode ser bem gradual e, mesmo aos 81 anos, menos da metade dos participantes da pesquisa mostrou um declínio significativo nos  sete anos anteriores.

 

Ao redor dos 88 anos, o déficit de habilidade numérica é geralmente dramático.

 

Talvez a conclusão mais importantes do estudo de Schaie seja o fato de haver diferenças substanciais entre as pessoas nas maneiras pelas quais o envelhecimento afeta a mente.

 

Às vezes, as diferenças entre doença degenerativa e envelhecimento normal são difíceis de perceber. Não obstante, a preponderância de dados mostra que a demência é um estado anormal e que o envelhecimento normal não implica em amyloid plaques, neurofibrillary tangles, degeneração do tecido cerebral ou uma perda séria das funções cognitivas. (p.20)

 

Cap.3 – APRESENTAÇÃO E DIAGNÓSTICO DA DEMÊNCIA (p.27)

 

“A definição mais amplamente aceita de demência no manual da American Psychiatric Association “Diagnostic and Statistical Manual of Mental Disorders”, 4ª. Edição (DSM-IV):

 

   - “um estado de perda de memória, acompanhada de diminuição da capacidade de decisão ou de mudança de personalidade”.

 

Para ser consideradas “demência”, essas mudanças na função mental precisam ser severas o bastante para interferir significativamente no trabalho, atividades sociais e relacionamento com os outros.

 

Embora o Mal de Alzheimer seja freqüentemente percebido como sinônimo de demência, há, na verdade, muitos tipos diferentes e diferentes causas de demência.  Todas são desequilíbrios neurológicos advindos da degeneração do tecido cerebral. Diferem entre si quanto à natureza da degeneração e  a área do cérebro onde as perdas de tecido tendem a ocorrer. Por seu turno, essas diferenças fazem com que essas demências se apresentem de formas diversas e progridam de maneiras diversas.

 

Distinguir entre as formas de demência é importante porque essas doenças diferentes podem requerer tratamentos diferentes para aliviar os sintomas ou, pelo menos, retardar o processo da doença.  É aí que o olho treinado do neurologista, geriatra ou psiquiatra desempenha um papel crucial para o diagnóstico e tratamento corretos.

 

O Mal de Alzheimer é a causa de pouco mais de metade dos casos de demência. Outros tipos de demência são: a vascular, a Lewy body,  a frontotemporal, mais ou menos nesta ordem de ocorrência.  Outras formas raras de demência não serão discutidas em detalhe. São elas: paralisia supranuclear progressiva, coréia de Huntington, e a doença de Creutzfeldt-Jacobs.

 

Há também algumas doenças que aparecem como se fossem demência. Ao contrário das formas de demência neurodegenerativas, essas doenças  podem ser diagnosticadas e tratadas nos estágios iniciais. Entre elas: a depressão (major depression), normal pressure hydrocephalus, apnéia do sono, deficiência hormonal da tireóide, deficiências de vitamina B12 e ácido fólico e outros nutrientes essenciais. Contudo, se não detectadas logo, essas doenças potencialmente reversíveis podem causar dano irreversível e demência.

 

Há muita coisa escrita sobre o significado do fato de alguns pacientes acreditarem que estão perdendo a memória. Essa queixa é tão comum que a literatura médica já deu um nome para ela: subjective cognitive impairment (SCI) – diminuição cognitiva subjetiva. Nem todo mundo com SCI tem demência. Pessoas com demência grave ou mesmo moderada geralmente não se dão conta da perda de função cognitiva. Portanto, SCI é relativamente rara nesse grupo de pacientes. Contudo, em algum momento entre ser normal e começar a ter perdas significativas de memória, as pessoas podem ter uma consciência extraordinária do seu problema. (p.28).

 

SCI é constatada algumas vezes em pessoas com demência moderada e, mais comumente num estado que chamamos “diminuição cognitiva leve” (mild cognitive impairment). (p.28).

 

p.29 – Quando uma pessoa apresenta um déficit de memória que não interfere significativamente com sua vida de trabalho ou social, e portanto, não preenche os critérios para ser chamada “demência”, dizemos que ela tem diminuição cognitiva leve (mild cognitive impairment, ou MCI).

 

Muito peritos acreditam que o reconhecimento subjetivo de perda de memória é bastante comum em pessoas com MCI. Todavia, alguns portadores de MCI, podem não se queixar, por vergonha/orgulho, negação do que estão percebendo ou por não estarem mesmo cientes do que ocorre.

 

Excetuando raros casos de demência precoce de origem genética, a maioria dos casos de demência é diagnosticada em pessoas a cima dos 60 anos, ou bem acima. Assim sendo, se não houver um histórico de família de demência precoce, a causa mais plausível de esquecimento e dificuldade de concentração em pessoas com menos de 60 anos, é a depressão (major depression), distúrbios de ansiedade ou alguma outra doença psiquiátrica.

 

(...) Evidentemente, uma pessoa pode ter depressão e MCI ou demência. Aliás, é comum que pessoas nos estágios iniciais de demência sofram de depressão. Assim um diagnóstico de depressão não exclui a possibilidade de haver também demência.

 

p.29 -  Um paciente com demência verdadeira geralmente se apresenta  meio confuso, ligeiramente chateado, trazido ao consultório médico por parentes preocupados. Quase invariavelmente é idéia da família trazer o paciente ao consultório. Ele bem que preferia estar noutro lugar.

p.30 – Uma observação interessante entre médicos é que muitos pacientes com demência leve ou média (moderada), durante o teste de avaliação, demonstram o comportamento de virar a cabeça na direção do parente que o acompanha, buscando obter a resposta correta.

 

Testes de Demência (pp.30-31)

 

(1) Um dos melhores para aferir o nível de função cognitiva é o Mini-Mental State Examination (MMSE), desenvolvido em 1975 ´pelo dr. Marshal Folstein e também conhecido como “o Teste de Folstein”. Leva apenas 10 a 15 minutos. Inclui 11 questões para avaliar a orientação temporal e espacial, memória operacional, memória de curto prazo, atenção, cálculo, leitura, escrita, capacidade de seguir instruções e interpretar e copiar formas geométricas simples.

 

O score máximo é 30 pontos. Um resultado de 23 ou menos sugere déficit cognitivo. Entre 20 e 23 indica demência leve; 12 a 19, demência média. Score abaixo de 12 indica demência grave.  Mas a idade e o nível de educação do paciente devem ser levados em conta. Ao interpretar o score do MMSE  .

 

(2) O Montreal Cognitive Assessment (MOCA) – também avalia componentes da função cognitiva. Dados tem mostrado que, em relação ao MMSE,  o MOCA pode dar melhores indicações de perda cognitiva, principlamente de diminuição cognitiva leve. Ele também é menos afetado pelos fatores idade e nível de educação.

 

(3) A Blessed Dementia Scale – Escala de Demência de Blessed (desenvolvido em 1968 pelo neuorpsicológo Gary Blessed). Continua sendo uma ferramenta útil na moderna pisquiatria e neurologia.

 

(4) Global Deterioration Scale – Escala de Deterioração Global -  Semelhante à Escala de Blessed na avaliação do grau de severidade da demência colhendo informações sobre o nível de funcionamento e comportamento do paciente no seu ambiente usual.  Não é muito útil para descobrir déficits sutis ou alertar para a possibilidade de diminuição cognitiva leve.

 

De uma maneira geral, o nível 7 desta Escala indica um estado no qual “o cérebro indica  não mais ser capaz de dizer ao corpo o que fazer” .

 

O score baixo num teste de função cognitiva apenas informa ao médico que o paciente não está pensando bem.  Isto pode ser atribuído a demência. Contudo, pode ser também um indicador de depressão, infecção, ou um distúrbio metabólico. Uma coisa simples, como deficiência de visão ou de audição, pode também afetar o resultado dos testes.

 

p.33 – Observei que a maneira como uma resposta é dada num teste pode revelar mais do que dar a resposta certa à questão. Alguns pacientes com depressão vão responder “Não sei”.  Quando os instigo a responder, eles geralmente o fazem perfeitamente bem.

 

O score perfeito no MMSE ou no MOCA não garante que o paciente esteja livre de demência.(...) Casos confusos podem ser esclarecidos por exame de imagem do cérebro e exames laboratoriais de sangue, urina ou fluido cérebro-espinhal.

 

Testes alternativos (p14-15):

 

 (5) Um teste muito interessante e potencialmente útil para o diagnóstico de demência foi desenvolvido a partir da descoberta de que pacientes com demência do Mal de Alzeheimer e do tipo Lewy body têm dificuldade em identificar odores.

 

Essa dificuldade é devida, em parte, a perdas de função cognitiva que tornam difícil para o paciente encontrar o nome associado ao odor. Mas também há evidência de que áreas do cérebro associadas ao olfato sofrem um dano neurodegenarativo bem no início dessas doenças. Existem até mesmo alguns resultados indicando que pessoas com MCI (MIld Cognitive Impairment – diminuição cognitiva leve) têm o olfato diminuído, mas tão levemente que não dá para fazer diagnóstico confiável a partir deles.

 

Um método para testar a identificação de odores é apresentar ao paciente 16 odores diferentes, tais como laranja, canela, banana,... alho, café e outros cheiros reconhecíveis. O número de odores que não conseguem ser identificados geralmente é paralelo ao grau de gravidade da demência.

 

Duas advertências óbvias:não aplicar o teste quando o paciente estiver resfriado ou com rinite alérgica e certificar-se de que na cultura do paciente, esses odores são comuns. Alguém do sudeste da Ásia, p.ex. pode não identificar cheiros de frutas que não existem em seu país.

 

(6) -  Um teste interessante. Mas praticamente pouco utilizado é medir a sensibilidade da pupila ao colocar colírio contendo substâncias (p.ex. beladona) que bloqueiam a atividade no acetylcholine receptor.

 

(7) Um grupo de sinais que os neurologistas examinam para avaliar a possíbilidade de doença neurodegenerativa é chamado de “Frontal release signs” (sinais de descarga frontal). São sinais primitivos, reflexos da infância, que tendem a reaparecer quando a inibição cortical mais alta dessas respostas que eram automáticas tendem a desaparecer.  Trata-se de um dos mais interessantes e enigmáticos sintomas em medicina.

 

O sinal palmo-mental é uma torcida do queixo quando se arranha firmemente com a unha a palma da mão do paciente com os braços estendidos. Um outro sinal (the glabellar sign) é quando o paciente não consegue deixar de piscar quando batemos repetidamente na fronte, no ponto entre seus olhos. O reflexo de agarrar (the grasp reflex) quando o paciente  involuntariamente agarra os dedos do médico quando estes estão arranhando para baixo as palma das mãos do paciente.  E o reflexo de raiz (the rooting reflex) que faz com que os pacientes voltem a cabeça na direção do dedo do médico que está tocando repetidamente suas bochechas. O paciente tem o impulso de colocá-lo na boca, como se fosse a reação primitiva para agarrar o bico do seio ou mamadeira.

 

Apesar de fascinantes, esses reflexos como teste têm sido questionados porque algumas pessoas  normais podem exibi-los, principalmente o reflexo palmo-mental.

 

Descartar outras causas (p.36)

 

Caminhamos para o ponto em que um simples exame de sangue revelará a presença da demência de Alzheimer e outras formas de demência.  Contudo, no momento, o diagnóstico das demências ainda é clínico, ou seja, fazendo um histórico dos sintomas do paciente, investigando a história de demência na família, avaliando detalhadamente o paciente para verificar o  seu nível real de função cognitiva.

 

Ressalte-se que o diagnóstico da demência é, em sua maior parte, um diagnóstico de exclusão. O médico descarta fatores como depressão (major depression), pancadas ou ferimentos na cabeça (head injury), deficiências hormonais e nutricionais, apnéia do sono, infecções, efeitos colaterais de medicamentos e outros problemas médicos que possam causar déficits de função cognitiva.

 

 

 Do Cap. 4 - AS DEMÊNCIAS –p.45

 

Há vários tipos de doenças neurodegenerativas que podem causar demência:

 

- Mild Cognitive Impairment ( Diminuição Cognitiva leve)

- O Mal de Alzheimer

- Demência Vascular

- Lewey Body dementia (descoberta pelo neurologista Friedrich Lewy em 1912)

- Doença de Pick e Demência frontotemporal

 

p.49 - Comumente, os sinais e sintomas de demência só vêm a aparecer quando o indivíduos está na década dos setenta anos, ou dos oitenta. No caso infeliz de Auguste D. [a paciente do dr. Alzheimer que o levou a investigar e constatar o tipo de demência que hoje leva seu nome] a doença apareceu ao redor de 49/50 anos e teve rápida progressão.

 

Na demência de Alzheimer que aparece tarde na vida, a progressão é muito mais lenta. Na maioria dos casos, o mal de Alzheimer é diagnosticado no estado moderado, depois de anos e anos de mudanças sutis no comportamento. Ao contrário do precoce declínio da sra. Auguste D. , pacientes de Alzheimer atacados quando mais velhos, tendem a viver 8 a 12 anos depois do diagnóstico inicial. E muitos morrem de doenças não relacionadas com a demência de Alzheimer.

 

p.62 – A doença descrita por Alzheimer pouco mais de um século atrás não é típica das formas de demência que estamos vendo hoje em dia.

 

Enquanto alguns genes podem predispor o paciente a manifestações específicas de demência, esses genes não causam necessariamente a doença.

 

Para a maioria das pessoas pode ser mais acurado e útil ir além de Alzeheimer, da demência frontotemporal, da Lewy Body e das demências vasculares a fim de encarar as demências modernas como manifestação mais ou menos diferentes de processos neurodegenerativos básicos alimentados por:

 

má dieta, resistência à insulina,síndrome metabólica;estresse,inflamação; sono deficiente;

falta de estímulos físicos e mentais;maus hábitos;Toxinas ambientais e outros efeitos de más escolhas de estilo de vida.

 

Do CAP. 5 – O QUE CAUSA A DEMÊNCIA

 

[O que pode causar demência, em diferentes graus de contribuição.]

 

-Genética

-Amyloid Plaques e Protein tangles

 

-Síndrome metabólica  - uma combinação de pressão arterial alta, glicose alta em jejum,  nível alto de gorduras na forma de triglicerídeos, baixo nível do bom colesterol HDL, e obesidade abdominal.  Esses fatores aparentemente não relacionados são o resultado da resistência crescente do corpo ao hormônio insulina.

 

- Diabete, ou hipoglicemia

-Doenças cardiovasculares

-Deficiências de homocisteína, Vitamina B12 e Acido fólico

- Fraqueza do componente mitocondrial

- Depressão (major depression); Obesidade

- Apnéia do sono e sono inadequado

- Estresse e o hormônio cortisol

-  Declínio de estrogênio e testosterona

-  Ferimentos/pancadas na cabeça (Head injury)

-  Má saúde dentária

-  Nível baixo de escolaridade e falta de exercício mental

- Falta de exercício físico; Fumo, Alcool e Maconha

- Algumas bactérias e vírus; Causas ambientais

 

Cap.6 -  Vitaminas, ervas e nutricêuticos

 

Discute o papel dos seguintes nutrientes:  acetyl-carnitine, alpha-lipoic acid,  a erva ashwaghanda, carnosine, chocolate e os flavonoides, chromium, co-enzima Q10, café, o tempero cúrcuma, Cytidine-5 – Dyphosphocoline (CDP Choline),, DHEA, óleo de peixe (Omega 3, Fatty acids, EPA, DHA, alho, gingko gyseng, glycerylphosphorylcholine, extrato de semente de uva (procianidyns, pycnogenol), chá verde, huperzine, ibuprofen, idebenone, lemon balm, melatonin, phosphatidylserine, red yeast rice, resveratrol, Thodiola rosea, , s-adhenosylmethionine (SAMe), sálvia, soja, vinpocetine, vitaminas A, C, D e E.

 

Cap.7 – Como evitar a demência

(Resumido no Cap. 9  - em lista traduzida abaixo).

 

 

Cap.8 – Quando é necessário tomar medicamentos

 

N. da T.: Não extraí trechos dos capítulosl 5 a 8. Das listas citadas acima só traduzi os termos obviamente conhecidos por mim. Os demais permanecem em inglês por falta de embasamento meu para traduzi-los.  Esta tradução se conclui com a orientação prática do último capítulo do qual tirei a última parte que conclui o livro.:

 

Do CAP. 9 – A EPIDEMIA DE DEMÊNCIA E COMO EVITÁ-LA

 

Como evitar a demência (pp.248-249)

 

- Para manter-se livre da demência você precisa combater a síndrome metabólica, diabete, doença coronária e outros fatores físicos de risco através de dieta, suplementos [vitamínicos e minerais] exercícios físicos, um bom sono e a redução do estresse.

 

- Para a maioria das pessoas, a dieta que melhor reduz o risco de síndrome metabólica, diabete, doenças do coração e demência é a dieta mediterrânea.

 

- Os principais componentes da dieta mediterrânea são:  frutas e vegetais com alto teor de fibras, menos carne vermelha e mais peixe de águas profundas, menos manteiga e mais azeite de oliva, alho, vinho tinto, temperos ricos em anti-oxidantes e poucos doces.

 

- A melhor dieta para perder peso pode não ser a mediterrânea. Para a maioria das pessoas, muita proteína e a boa gordura tendem a cortar o apetite e tornar mais fácil a perda de peso.

 

- Dieta mais exercício é o mais certeiro caminho para perder peso.

 

- O peso ideal para homens é 106 libras para cada 5 pés de altura, acrescidos de 6 libras para cada polegada adicional de altura. Para as mulheres, o peso ideal é 100 libras para os primeiros 5 pés de altura, mais 5 libras para cada polegada adicional de altura.  Acrescente 10 libras para quem tiver mais de 50 anos e acrescente ou diminua 10 libras no caso de ter ossatura larga ou estreita (grande ou pequena).

 

- Há muitas ervas, vitaminas e nutricêuticos que podem ser tomados com suplementos para ajudar a evitar ou retardar a progressão da demência.

 

- Uma combinação útil de suplementos inclui aqueles que tenham efeitos antioxidiantes, anti-inflamatórios, acentuem o acetylcholine, a estimulação do crescimento dos neurônios, os  efeitos anti-amyloid e a prevenção da síndrome metabólica.

 

- Mantenha-se livre de toxinas ambientais bebendo água limpa, respirando ar limpo e comendo alimentos frescos e não contaminados.

- Em alguns casos, são necessários medicamentos para evitar a síndrome metabólica e seus efeitos adversos.

 

- Pode haver necessidades de medicamentos para melhorar a função cognitiva e prevenir um maior declínio nos estágios iniciais da demência. Atualmente, os remédios aprovados pela FDA (Federal Drugs Administration) incluem o NMDA receptor antagonist memantine (Namendal) and os cholinesterase inhibitors Aricept, Razadyne e Exelon.

 

- Não se desespere. As pesquisas continuam e há muitas medicações novas no horizonte.

 

- Para evitar a demência você precisa exercitar tanto a mente quanto o corpo. Precisa continuar a aprender ao longo da vida and fortalecer sua mente com trabalho estimulante and passatempos interessantes,

 

- Use livros, quebra-cabeças e jogos como suplementos, não como substitutos de fazer atividades intelectuais estimulantes com gente interessante.

 

- Um bom casamento onde o cônjuge é também um amigo e confidente é a melhor de todas as possibilidades.

 

- Pessoas capazes de manter amizades fraternas (close friendships) ao longo da vida adulta e da velhice são menos predispostas a desenvolver demência.

 

- As pessoas podem e devem continuar a desenvolver-se e crescer emocionalmente and espiritualmente através da vida adulta e da velhice. Aqueles que não o fazem tem um risco maior de desenvolver demência.

 

- Aprenda a amar incondicionalmente, realize sonhos, encontre um sentido e contentamento, perdoe e fique em paz consigo mesmo.

 

Fonte:

Scott D. Mendelson – Beyond Alzheimer´s – How to avoid the Modern Epidemics of Demenytia – 2009.

 

Jornalismo com ética e solidariedade.