Theresa Catharina de Góes Campos

Amigos:

O texto abaixo seria exclusivo para meu irmão em parco e cerimonioso  uso do telefone celular, o Maestro Mastroianni, supra citado.

Mas, já que me dei ao trabalhar de digitar  trecho dessa impagável crônica,  resolvi partilhá-lo  com outros portadores de celulares secretos como o meu, bem como  utilizadores mais freqüentes do brinco do século XXI. Aqui vai:

Do cronista Xico Sá, em "Troque o Celular por uma galinha gorda". In Diário de Pernambuco, 13/08/2005, p.D6:

"...
Nestes tempos em que celular virou brinco, eternamente colado às "oiças" de todos, uma reflexão de dona Maria do Socorro, mãe deste que vos berra, vem como pílula mais do que apropriada:

"Conheci teu pai, namorei, casei, engravidei de todos vocês, criei minha família, cuidei de tudo direitinho, graças a Deus não morreu nenhum... E nunca precisei dar um telefonema, nem unzinho mesmo!".

Mulher do sertão, que só pegou em um telefone depois dos 50 anos, anda revoltada com parentes e amigas que vivem grudados ao celular: "Tá todo mundo de pescoço torto, cabeça decaída para um lado, tudo penso, por causa dessa moda nova", diz.

Deixemos de ser plantonistas do celular, principalmente no amor. No caso dos pais, por exemplo, o telefonema é um péssimo jeito de dizer eu te amo ou coisa que o valha, como sugere o reclame de TV. O que vale é dengo da rotina, o cozido dos domingos, a cerveja esclarecedora de broncas e companheirismo.

Quer jogar conversa fora ao celular? Faça como a eficiente recomendação das antigas: mate uma galinha gorda no domingo e me convide para comer".

(Xico Sá - pauta@brpress.net)
 

Tereza Lúcia Halliday, Ph.D
Criação, Análise e Assessoria de Textos
www.terezahalliday.com
    

"Palavra quando acesa, não queima em vão".

 

Jornalismo com ética e solidariedade.