Theresa Catharina de Góes Campos

De:

"Notícias da ABN AGENCIA BRASILEIRA DE NOTICIAS"

Para:

theresacatharina@terra.com.br

Data:

Thu, 01 Sep 2005 12:02:24 -0300

Assunto:

Cidades/Cascavel/Cultura: Portadores de deficiência quebram padrões

Portadores de deficiência quebram padrões

CASCAVEL - A oficina “Dança com portadores de necessidades físicas especiais”, realizada dentro da programação do 16º Festival de Dança de Cascavel, fez com que muitos espectadores revissem seus conceitos. O curso, ministrado pela professora de dança Faculdade de Artes do Paraná (FAP), Andréia Sério, teve duração de 32 horas e cerca de 20 alunos, entre eles, professores de alunos especiais e portadores de deficiência física.

Segundo Andréia, que é também representante paranaense do programa Arte Sem Barreiras da Funart, se um dançarino contemporâneo tem como objetivo quebrar o padrão de movimento, então um portador de deficiência física pode ser um dançarino, já que é uma exceção. Sua especialidade é fazer portadores de qualquer deficiência experimentar e conhecer seu corpo com a criação de movimentos jamais imaginados. “Isto fica possível até para quem não tem deficiência. Busco apresentar a qualidade de um movimento. É dança contemporânea, então há uma quebra dos sistemas conhecidos como padrões que todos possuímos”, salienta Andréia.

Segundo a professora da APAE de Cascavel, Léia Moraes, participar de um curso com uma especialista resultou em muita informação adquirida. “Já temos a aprender muito com nossos alunos. O que estava faltando para os profissionais cascavelenses era exatamente esse incentivo em reciclar nosso conteúdo com novas experiências. Este curso será de grande valia para muitas atividades que praticaremos com os alunos”, avalia Léia.

Para ter uma aula dinâmica e que resulte em iniciativa de experimentação, Andréia inicia a prática logo após apresentar seus conceitos retirados da teoria. Seu principal objetivo é fazer com que o corpo fale e calcule seus movimentos. Para isso, sugere que todos se desprendam dos seus movimentos padrões. “Os alunos devem adquirir liberdade de expressão. Então sugiro que se tornem mais móveis. O contato com o chão possibilita mudanças e sensibilidades”, explica ela.

O Festival de Dança é uma promoção da Prefeitura Municipal de Cascavel e Secretaria de Cultura.

Inclusão
Para os alunos em cadeiras de rodas, a professora deixa claro que são eles que se moldam às aulas. O curso, para a paraplégica Elaine Borges, foi exatamente igual ao oferecido aos outros integrantes. “Somente isso já mexe com nossa auto-estima. Todo esse processo apresentado pela professora nos dá a sensação de liberdade e se torna muito benéfico. Estou conhecendo a mim mesma”, comenta Elaine, já lamentando pelo curto tempo do curso. Segundo ela, oportunidades como esta deveriam ser oferecidas sempre.

Os alunos rolam no chão e dançam de uma forma muito possível. Para isto, basta que recebam o código da professora, interpretem e, então, criem o movimento. “Os educadores precisam saber que não há limites para o movimento. Não há nenhuma definição dizendo que para ‘dançar’ precisamos estar obrigatoriamente ‘em pé’ ou ter ‘pernas’. O objetivo é comunicar, não importa se deitado ou nas paredes”, aponta a professora.

01/09/2005 - Quinta - 12:02:24 - Editoria: Cidades/Cascavel/Cultura

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